Saúde

Cancro: Cientistas portugueses premiados nos EUA

Uma equipa de investigadores portugueses acaba de conquistar um prémio no valor de 25 mil euros atribuído pela associação norte-americana de doentes com cancro gástrico hereditário "No Stomach for Cancer".
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Uma equipa de investigadores portugueses acaba de conquistar um prémio no valor de 25 mil euros atribuído pela associação norte-americana de doentes com cancro gástrico hereditário “No Stomach for Cancer” graças a um projeto que visa melhorar a capacidade de interpretação das mutações que são a principal causa desta patologia oncológica. 
 
O trabalho, o primeiro 100% português financiado pela organização dos EUA, é da responsabilidade das investigadoras Joana Paredes e Raquel Seruca, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e do investigador João M. Sanches, do Instituto de Sistemas e Robótica e do Departamento de Bioengenharia do Instituto Superior Técnico da Universidade de Aveiro de Lisboa.
 
Trata-se de um projeto intitulado “Today's present, tomorrow's future on the study of germline E-cadherin missense mutations”, que visa melhorar a capacidade de interpretação funcional de mutações germinativas do gene da caderina-E, que são a causa mais bem conhecida de cancro gástrico hereditário (HDGC), explica a Universidade do Porto (UP) o seu portal de notícias.
 
Quando a caderina-E não é funcional no estômago, as células gástricas estão em alto risco de se tornarem cancerígenas, de invadirem silenciosamente o estômago e de se disseminarem sem formação de um tumor detetável, o que justifica a necessidade de apostar em testes genéticos mais aprofundados. 
 
Para Raquel Seruca, uma das coordenadoras do projeto, o prémio é não só “uma grande honra pelo reconhecimento do trabalho desenvolvido”, como “uma grande responsabilidade”. “Melhor seria impossível”, assegura a cientista, que é também líder do grupo de investigação “Genética do Cancro” do IPATIMUP, citada pela UP.

Investigação lusa vai permitir a introdução de novos testes genéticos
 

O cancro gástrico é a quarta causa mais comum de cancro no mundo, sendo o cancro hereditário (HDGC) uma forma genética de cancro do estômago. Embora não seja uma doença muito frequente, é clinicamente obrigatório identificar possíveis portadores genéticos, já que se trata de um cancro silencioso com elevada taxa de mortalidade em casos em que não exista intervenção atempada. 
 
Devido às caraterísticas da doença e à falta de métodos de imagem de triagem sensível, a deteção e a vigilância dos indivíduos em risco é feita, exclusivamente, através da genética, um método que em 20% dos casos é inconclusivo, impossibilitando um aconselhamento adequado das famílias. 
 
Os investigadores portugueses vão, portanto, trabalhar no sentido de colmatar esta limitação, pretendendo oferecer, já no final de 2016  e mediante pedido médico, novos testes funcionais para as famílias de todo o mundo portadoras de mutações germinativas da caderina-E, que permitirão melhorar o aconselhamento médico e a vigilância destas pessoas.
 
A organização norte-americana “No Stomach for Cancer” dedica-se a apoiar a investigação científica inovadora.  Uma das suas principais prioridades é apoiar os esforços da investigação na triagem, deteção precoce, tratamento e prevenção do cancro do estômago. 

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