Dr. Duarte Sousa
Consultório Médico Em Destaque

Benefícios do consumo do café

Consumido com moderação o café assume um papel protetor no aparecimento de algumas doenças crónicas
Versão para impressão
por Dr. Duarte Sousa, médico de Medicina Geral e Familiar

O café é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo. Nas últimas décadas têm-se multiplicado os trabalhos científicos com o objetivo de determinar o potencial impacto deste hábito nos nossos padrões de saúde das populações.

Apesar de a cafeína ser o componente maioritário do café enquanto bebida, e aquela com maior efeito no metabolismo, outros constituintes têm mostrado um papel de destaque. O café é de facto, uma importante fonte de antioxidantes, particularmente de ácido clorogénico, que já demonstrou estar implicado nas vias de proteção contra o desenvolvimento de alguns tipos de tumores e de diabetes tipo 2.

Vários trabalhos têm mostrado resultados consistentes quanto ao mecanismo protetor do café no desenvolvimento de diabetes tipo 2, verificando-se uma redução de 25% com a ingestão de 3 a 4 porções por dia. Este risco diminui à medida que o consumo de café aumenta até um consumo máximo de 6 a 8 cafés por dia.

No âmbito das doenças neurodegenerativas, inúmeros estudos epidemiológicos que mostram uma relação inversa entre o consumo de café e o risco de desenvolver doença.

Particularmente na Doença de Parkinson, a cafeína é apontada como o principal responsável por este mecanismo protetor ao bloquear os receptores A2A de adenosina existentes em áreas cerebrais ricas em dopamina.

Estudos animais demonstram que a cafeína é capaz de atenuar os efeitos da depleção de dopamina em algumas áreas cerebrais, assim como potenciar o efeito do tratamento com levodopa, o principal tratamento atualmente utilizado no tratamento da Doença de Parkinson.

Outro campo que tem mostrado resultados promissores é o papel hepatoprotetor conferido por alguns antioxidantes presentes no café. Indivíduos com maior consumo de café mostram uma evolução mais lenta da fibrose hepática,principalmente na hepatopatia alcoólica. A associação entre o consumo moderado de café e o atraso da evolução para doença hepática grave, foi também observada em pacientes por doença hepática não alcoólica, nomeadamente hepatite C ou esteatose hepática.

Também o potencial carcinogénio do café tem sido também alvo de investigação, sendo que a evidência científica atual sugere que o consumo moderado não esteja associado a um risco aumentado de neoplasias. Pelo contrário, alguns estudos demonstram que um consumo moderado e regular associa-se a uma redução do risco de certos tipos de tumores, nomeadamente hepatocarcinoma e carcinoma do endométrio.

É importante ressalvar a segurança em alguns grupos considerados mais vulneráveis aos efeitos da cafeína, nomeadamente, grávidas, crianças, indivíduos hipertensos ou com sensibilidade aumentada aos efeitos da cafeína.

Assim, o consumo moderado e regular de café, na proporção de 3 a 5 porções diárias (300-400 mg de cafeína), quando enquadrado num ambiente de estilos de vida saudável, não acarreta efeito nocivo, mostrando até um papel protetor no aparecimento de algumas doenças crónicas e no atraso da evolução das mesmas.

Comentários

comentários

Pub

Live Facebook

Correio do Leitor

Subscreva a nossa Newsletter!

Receba notícias atualizadas no seu email!
* obrigatório

Pub

Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saiba mais aqui.

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close