Sociedade

Ativistas do tricô assinalam 25 de Abril

O 39.º aniversário da revolução de Abril é, este ano, assinalado por uma intervenção artística de um grupo de mulheres ativistas que usaram a arte do tricô para deixar a sua marca numa base militar desativada na zona de Cascais.
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O 39.º aniversário da revolução de Abril é, este ano, assinalado por uma intervenção artística de um grupo de mulheres ativistas que usaram a arte do tricô para deixar a sua marca numa base militar desativada na zona de Cascais.

As mulheres, que integram o grupo Grande Malha, assumem-se como “ativistas pacíficas” e, este ano, para assinalarem o 25 de Abril, pegaram em agulhas e novelos de lã para fazerem o que sabem e o que gostam: tricotar.

Numa antiga base militar, “plantaram” cravos de lã de tamanho gigante, numa ação anónima já que as ativistas “não procuram o protagonismo” e desejam manter a “curiosidade” dos outros.

Um cravo gigante foi colocado dentro de um dos canhões da base militar. Um pouco mais à frente, foi estendida uma ‘manga’ também em formato de cravo num outro canhão.

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De agulhas na mão, retiradas de uma bolsa com padrão camuflado, vestem o terceiro canhão com um comprido enfeite vermelho, que envolve o ferro. Na ponta pende em franjas.

O local foi “descoberto” através de um blogue do fotógrafo Gastão de Brito e Silva, que tem um projeto sobre edifícios em ruínas sobre o qual o Boas Notícias divulga, esta quarta-feira, uma reportagem.

“Gostamos muito de arte de rua. Como não fazemos ‘grafittis’, nem sabemos pintar, pensámos o que sabemos fazer? Sabemos fazer malha”, explicou uma das ativistas à Lusa. “No fundo o objetivo é deixarmos as peças, que já fazíamos em casa, na rua e partilhá-las com todos”, resume.

Tricotar contra a apatia

Apesar de não seguirem nenhum partido, estas ativistas admitem que usam o trabalho para mostrar que algo vai mal em Portugal, na Europa e no Mundo.

Para a ativista aguarda-se uma “mudança, algum tipo de revolução, que se torna urgente”. “Se calhar, já somos demasiados civilizados para algo violento”, acrescenta. O caminho, segundo a mesma ativista, talvez passe por “pequenas ações” de criatividade que mostrem que as pessoas “não estão adormecidas”. 

Os cravos usados nesta base militar desativada “estão de acordo com essa data (25 de Abril) e com valores que já estão um pouco esquecidos: a liberdade, a justiça, o facto do povo ter uma palavra a dizer”.

Os seus trabalhos em lã mostram que “alguém teve a paciência, cuidado e que investiu em fazer uma peça para partilhar com todos, para que não haja tanta apatia”.

“Para que não estejamos tão centrados nos problemas e no medo, e é isso que também o 25 de Abril simbolizou: acabar com o medo de expormos as nossas opiniões”, conclui, antes de pegar mais uma vez nas agulhas para fazer mudanças pela arte de bem tricotar.

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