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As promessas turísticas da nova geração: Inovação sem limites

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Em Portugal, os mais céticos justificam este sucesso pelo acaso e/ou pelas condições naturais que o país apresenta. Outros defendem acerrimamente o trabalho realizado pelas entidades públicas e privadas que criam e recriam produtos e destinos, muito em função das vontades dos turistas. Justiça seja feita, muito trabalho foi realizado, trabalho este de grande qualidade e de mérito mais do que visível.

Reconhecida é também a necessidade de inovar, qualificar e segmentar para enfrentar a competitividade e assegurar a sustentabilidade futura da atividade turística. Sustentabilidade que só é possível manter se se investir na qualificação dos recursos humanos, garantindo que estes saem da universidade com as competências que as empresas precisam e procuram.

Para tal é necessário desenvolver modelos de ensino aprendizagem em estreita cumplicidade com a realidade empresarial. Estágios, projetos aplicados e seminários são exemplos simples de como trazer as empresas para dentro das escolas. No entanto, esta nova geração ávida de novas dinâmicas requer mais proatividade. Modelos pedagógicos baseados em projects based learning são cada vez mais inevitáveis. Estes projetos retemperam e doseiam teorias que são lecionadas em contexto de resolução dos problemas que o setor enfrenta.  Este modelo dinâmico e proactivo exige dos alunos competências aplicacionais do conhecimento às problemáticas que lhes são oferecidas. Exige proatividade e muita criatividade, devolvendo ao mercado quadros capazes de dar o salto qualitativo que há tanto se almeja.

Saber-saber, saber-ser e saber-fazer são pressupostos de base deste modelo que exige de quem os arquiteta a seleção de áreas cujo desenvolvimento e níveis de sucesso tardam em emergir.

No caso de Portugal,  a diversidade de paisagens oferece um mosaico cénico de irrefutável beleza. Beleza esta, que muitas vezes escapa aos olhos do que nos visitam quer pela falta de acessibilidade, ou até porque estes locais “não estão na moda”.

A consciência desta realidade cuja consequência mais óbvia é a desertificação, foi o mote para o primeiro desafio dos estudantes da Universidade Europeia do curso de Turismo-Tourism Train Experiences.

Mais de uma centena de caloiros foram convidados a apresentar propostas de dinamização destas zonas turísticas, por forma a colocá-las na “moda” suportando a mobilidade no comboio. Numa rota da Beira Baixa onde o turismo comunitário é a bandeira da região, seis marcas destino, 22 entidades acolheram e apoiaram o desenvolvimento dos projetos.

Estes projetos inseridos no plano curricular dos alunos corporizam a sua proximidade ao mercado, a consciência da realidade e promove a criatividade e inovação, que – diga-se – não tem limites.

Os pitchs vencedores versaram sobre a Marca destino Naturtejo onde se propunha criar um geoparque ecológico e luxuoso de turismo de natureza e aventura. Ao nível do turismo ferroviário propôs-se a criação de um passe de circulação livre na rota da Beira Baixa e, com acesso a atividades pré estabelecidas e concertadas com as autoridades locais, de salientar que estas parcerias foram efetivamente negociadas e acordadas com as diferentes autoridades. Se nestes dois primeiros projetos sobressai a exequibilidade e o pragmatismo de quem nasceu com o espirito de Homem/Mulher de negócios.

Nos próximos dois, é a criatividade que impera:  na marca destino Tagus propôs-se revitalizar o castelo de Abrantes com sete formas de arte contemporânea, com o slogan 7 days, 7 arts. Ainda mais arrojado surge o projeto Gamping que “casa” videojogos com campismo numa simbiose fonética de divórcio difícil. Este projeto que recria parques temáticos, dá vida aos vídeo jogos, devolvendo aos parques a identificação que se perde, nos que veiculados à bonecada dos anos 60, tornam-se pouco atrativos para as crianças do séc. XXI.

Nas idiossincrasias da personalidade de cada estudante, estes projetos ajudam a definir as suas competências ao mesmo tempo que acrescentam valor à sua formação, que dificilmente pode assentar apenas no papel e lápis.

De fato, os Millenials são uma geração com padrões de vida claramente diferenciados, movimento, novas dinâmicas e muita cultura tecnológica sugerem novos métodos de aprendizagem que não podem circunscrever-se ao espaço “escola-sala”.

Por isso mesmo, a Universidade Europeia lançou um novo desafio aos seus alunos do segundo e terceiro ano, onde a mobilidade continua a ser a alavanca para os motivar – Millennials em Movimento.

Os Millenials foram, então, para as pousadas da juventude tentar dinamizar um conceito que, muito próximo dos hostels, não prima pelo mesmo sucesso. A parceria com a Movijovem permitiu um movimento simultâneo pelas 40 pousadas de norte a sul, com o objetivo de valorizar, atrair e maximizar o seu potencial das pousadas. Desta vez a participação dos estudantes quase ascendeu às 4 centenas. O movimento de visita às pousadas concretizou a primeira fase do desafio. Propostas de reestruturação destes alojamentos, planos de marketing, de viabilidade económica e de animação turística fervilham numa Universidade onde a multidisciplinariedade e a estreita relação com o setor suportam um novo paradigma de educação.

A abrangência deste projet based learning é inédita, 393 alunos, 22 docentes e 40 pousadas substanciam a grandiosidade dum ensino que se propõe dar o “salto qualitativo” que o setor implora. Se depois da viagem imperava o desalento e a consciência da complexidade do problema, no Tourism Lab (incubadora da Escola de Turismo, Desporto e Hospitalidade) o acompanhamento tutorial, permitiu recuperar o dinamismo de quem sabe que pode e deve contribuir para o desenvolvimento do país. Criatividade, inovação e muito entusiasmo estão patentes em todos os projetos. Porque elencar todos seria impossível deixa-se uma sinopse dos mesmos relativamente curta mas bastante esclarecedora do seu potencial claramente disruptivo.

Estratégias para atração de novos públicos, discriminação de preços, campanhas promocionais digitais, redefinição logística e funcional, viabilidade económica e financeira constituíram-se como eixos de análise indispensáveis.

“Faz te a estrada, arranja um quarto, come como um local, mantém-te jovem e podes ser quem quiseres” é o argumentário de um projeto de divulgação digital assente no marketing relacional e de conteúdo com impactos virais.

Mantendo o espirito arrojado, a  Youth Generation junta desportos radicais num cartão  que acumula descontos com a antecipação de pagamentos e com o número de atividades subscritas, estratégia que  de base económica complexa, revelam  o domínio de conhecimentos teóricos dos  alunos e a capacidade de adequar estratégias de discriminação de preços à realidade empresarial.  Aliado a esta estratégia sugere-se ainda o desenvolvimento duma aplicação com pressupostos próximos das slot machines que sorteia aleatoriamente entre os cartões gerados experiências e noites gratuitas.

Mais ao nível da sustentabilidade económica e financeira surge o projeto da pousada de Espinho, que ensaia cenários de rentabilização e maximização da receita gerada. Os fundamentos da proposta elencam também as origens da relativa insustentabilidade económica. A dependência dum núcleo desportivo, cuja atividade está quase extinta, a falta de apoio das autoridades locais, custos fixos demasiado elevados e um quadro de pessoal à beira da reforma totalmente acomodado justificam a estagnação existente. Ao nível da inovação este projeto propõe recurso a outsourcings, desenvolvimento de produtos complementares e o estabelecimento de parcerias ao nível do desporto, da formação ou das reuniões.

Ainda e, para promover a eficiência funcional surgem várias propostas de desenvolvimento que passam pela descentralização e autonomização da gestão das pousadas, bem como pela desburocratização dos processos administrativos, que mais não fazem do que impular custos fixos e atrasar decisões que se tomadas atempadamente poderiam despoletar novas dinâmicas.

Curioso e criativo foi também o projeto Get lost in L.A.G.O.S que desenvolve um novo itinerário em Lagos. Uma cidade com pouco mais do que 31 mil habitantes e 213 km2. Cada uma das letras do nome da cidade representa uma atividade temática que termina com o S, seayousun.

O see you soon é também a promessa que mais e diferentes projetos continuarão a ilustrar uma formação que se espera o mais próximo da realidade possível, corolário dum modelo pedagógico disruptivo que estimula a criatividade. A qualidade e nível de inovação que os projetos desenvolvidos revelam permite-nos afirmar com propriedade que esta nova geração tem tudo para recriar o desenvolvimento turístico num país que já nasceu turístico.

Millennials, movam-se porque o vosso futuro começou ontem!

Antónia Correia
Dean da Escola de Turismo, Desporto e Hospitalidade da Universidade Europeia

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