Ciência

Alzheimer: UCoimbra desenvolve terapia com cannabis

Alguns efeitos da cannabis poderão melhorar o consumo de energia pelo cérebro, que se encontra deficitário na doença de Alzheimer, revela um estudo liderado pela Universidade de Coimbra e por um instituto espanhol.
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Alguns efeitos da cannabis poderão melhorar o consumo de energia pelo cérebro, que se encontra deficitário na doença de Alzheimer, revela um estudo liderado pela Universidade de Coimbra e pelo Centro para a Investigação Biomédica em Doenças Neurodegenerativas de Espanha.
 
O desafio futuro desta descoberta em ratinhos, publicada em Março na revista Neuropharmacology, encontra-se na separação dos efeitos negativos e positivos da cannabis.
 
O principal ingrediente psicoativo da marijuana, tetrahidrocanabinol (THC), atua sobre dois recetores, “CB1” e “CB2”, localizados no cérebro, que se distinguem como os “polícias maus e os polícias bons”. 

Os recetores CB1 estão associados à morte neuronal, distúrbios mentais e vício em diferentes drogas ou álcool. Contrariamente, os recetores CB2 anulam muitas das ações negativas dos CB1, protegendo os neurónios, promovendo o consumo de glucose (energia) pelo cérebro e diminuindo a dependência de drogas.

THC modificado promeve captação de glucose
 
Attila Köfalvi, autor principal do artigo e investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular da (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), explica que a investigação concluiu "que os recetores CB2, quando estimulados por análogos do THC quimicamente modificados para interagirem apenas com os recetores CB2 sem ativar o CB1, evitando os efeitos psicotrópicos e mantendo os efeitos benéficos, promovem o aumento de captação de glucose no cérebro", sendo que os especialistas acreditam que a incapacidade de processar glucose a nível cerebral é uma das causas desta doença.

Experiências adicionais com outras técnicas mostraram que este efeito do CB2 não se limita aos neurónios mas estende-se a outras células do cérebro que ajudam ao funcionamento dos neurónios, os astrócitos. "No futuro, esta descoberta poderá abrir caminho para uma terapia da doença de Alzheimer", nota o investigador.

 
A equipa internacional contou com a colaboração do CAI de Cartografia Cerebral do Instituto Pluridisciplinar da Universidade Complutense de Madrid, o Instituto de Tecnologia de Madrid e o Instituto de Investigações Bioquímicas de Bahía Blanca da Universidade Nacional del Sur da Argentina.
 
A investigação foi financiada pelo Prémio Belard Santa Casa da Misericórdia, DARPA, FEDER, QREN – Programa Operacional Regional do Centro 2007-2013 com o apoio do Mais Centro e da União Europeia e Programa Operacional Fatores de Competitividade via Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

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