Saúde

Alzheimer: Novo anticorpo reduz o declínio de doentes

Um anticorpo desenvolvido pela Universidade de Zurique, Aducanumab consegue reduzir significativamente o número de placas beta-amilóide em pacientes na fase inicial de Alzheimer.
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Um anticorpo desenvolvido pela Universidade de Zurique consegue reduzir significativamente o número de placas beta-amilóide em pacientes na fase inicial de Alzheimer. Estes depósitos de proteínas são prejudiciais ao bom funcionamento do cérebro e um sinal clássico da doença de Alzheimer.
 
Embora os testes clínicos ainda se encontrem numa fase precoce, os investigadores demonstraram que um ano de tratamento com o anticorpo Aducanumab atrasou de maneira considerável o declínio cognitivo de pacientes com Alzheimer.
 
De acordo com os últimos dados publicados pela Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA), cerca de 153 mil portugueses sofrem de demência, com 90 mil destes a sofrerem de Alzheimer.
 
A causa da doença continua até aos dias de hoje desconhecida, mas já que sabe que a deterioração mental começa com a deposição progressiva de placas beta-amilóide nos cérebros das pessoas afectadas. Este processo normalmente começa dez a quinze anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas, tais como a perda de memória.
 
Os novos ensaios clínicos da Universidade de Zurique mostraram que o anticorpo Aducanumab, liga-se selectivamente a placas amilóides cerebrais, permitindo assim a remoção das placas. Um ano de tratamento com o anticorpo resultou no desaparecimento quase completo das placas amilóidesnos pacientes em estudo. Os resultados foram publicados na revista científica Nature.

Tratamento testado em 2.700 pacientes


"Os resultados deste estudo fazem-nos crer que podemos estar prestes a dar um grande avanço no tratamento do Alzheimer", diz Roger M. Nitsch, professor do Instituto de Medicina Regenerativa na Universidade de Zurique. "O efeito do anticorpo depende da dosagem e da duração do tratamento. Por agora, os resultados são muito impressionantes.”
 
Os resultados publicados baseam-se no tratamento de 165 pacientes com Alzheimer na sua fase inicial. Para além de análises clínicas, os pacientes foram avaliados através de questionários para verificar se as habilidades cognitivas se alteravam.
 
“O aducanumab mostrou efeitos positivos sobre os sintomas clínicos", comenta Roger Nitsch. "Embora os pacientes no grupo de placebo tenham exibido um declínio cognitivo significativo, a capacidade cognitiva permaneceu nitidamente mais estável nos doentes que receberam o anticorpo."
 
Os efeitos promissores do Aducanumab estão a ser investigados atualmente em dois estudos clínicos de maior dimensão. Envolvendo mais de 300 centros em 20 países da América do Norte, Europa e Ásia, estes estudos estão a avaliar a eficácia e a segurança do anticorpo num total de 2.700 pacientes com Alzheimer.

Notícia sugerida por Maria Pandina

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