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A maquilhagem é uma terapia?

O impacto de patologias, como o cancro, na auto-estima e como um simples gesto o pode suavizar!
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por redação

A Dalila tem 52 anos e em dezembro de 2016 foi diagnosticada com cancro da mama. É no Hospital S. João de Deus, do Instituto S. João de Deus, em Montemor-o-Novo, que está internada para a recuperação e onde encontra não só apoio à quimioterapia, mas também uma auto-estima renovada. Foi depois de verbalizar, à Terapeuta Ocupacional que a acompanha, a dificuldade em “desenhar” umas sobrancelhas naturais que incentivou a realização do workshop “O lado terapêutico da maquilhagem”.

Foi no passado dia 20 de junho no Hospital S. João de Deus, que mulheres como a Dalila aprenderam as técnicas necessárias para, sozinhas, conseguirem recuperar a auto-imagem e a alegria de sorrir. Sara Miguéns, terapeuta ocupacional no Hospital S. João de Deus, contactou Marco Ferreira, maquilhador profissional e também terapeuta ocupacional, que aceitou prontamente o desafio.

Marco, maquilhador há mais de 20 anos, garante que “a maquilhagem só por si já ajuda”, mas que se for utilizada como recurso terapêutico pode “melhorar vários aspetos desde a auto-imagem, o auto-conceito, a auto-estima”. E a enumeração de bons resultados não acaba por aqui. “Promover qualidade de vida, melhorar a motricidade fina, melhorar défices de lateralidades, movimentos e amplitudes de movimentos”, são alguns dos benefícios destacados pelo maquilhador e terapeuta ocupacional. De caso para caso, de patologia para patologia, há algumas melhorias mais evidentes que outras, mas “o mais gratificante é as pessoas voltarem a fotografar-se”, diz Marco Ferreira que acrescenta que esse ato “revela que a intervenção produziu resultados e que a pessoa volta a gostar da sua própria imagem”.

Idalina Banha diz que costuma fugir de fotografias ou baixar a cara. Com apenas sete meses foi deixada cair no lume. Foi internada no Hospital D. Estefânia em Lisboa e posteriormente, com oito meses de idade, foi internada no Hospital S. João de Deus, em Montemor-o-Novo, local onde permaneceu até aos nove anos. Foi submetida a várias dezenas de cirurgias até que a segurança social deixou de comparticipar as operações por considerá-las tratamentos estéticos. Hoje em dia Idalina não sai de casa sem colocar base maquilhadora na cara, mas continua insegura com a sua imagem e olhada de forma diferente.

Casos como o de Dalila e de Idalina não faltarão, infelizmente, para contar. É por todos esses motivos que os objetivos de workshops como “O lado terapêutico da maquilhagem” passam por sensibilizar as pessoas de que é possível sentirem-se bem, de que é possível atenuar as marcas que a vida deixa.

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