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A Arte na Quarta Revolução Industrial

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O mundo tem passado por diversas transformações em curtos períodos de tempo, porém, a velocidade e a crescente complexidade têm vindo a aumentar, de forma exponencial, nas duas últimas décadas. Com a entrada no novo milénio o mundo mudou. Estas mudanças são justificadas pela Quarta Revolução Industrial e pelos desenvolvimentos nas áreas da inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, genética, biotecnologia, impressão 3D e outras evoluções técnicas e científicas. Neste âmbito, o debate em torno da arte e da tecnologia tem vindo a ganhar espaço nos meios académicos. A temática desperta a atenção de vários segmentos da sociedade, particularmente aqueles que estão ligados aos meios educativos e culturais.

Na esfera da proclamada Quarta Revolução Industrial, um dos pilares é a Internet das Coisas (Internet of Things – IoT), que antecipa uma transformação integral da produção industrial através da fusão da tecnologia digital com a indústria tradicional, recorrendo à internet, nomeadamente por intermédio da utilização de aplicações informáticas em plataformas móveis e dispositivos com wireless que permitem conectar qualquer dispositivo, ou qualquer individuo, em qualquer ponto do planeta. Estas transformações têm tido também um grande impacto no universo das expressões artísticas – da arquitetura ao cinema.

De acordo com os autores Kohn e Moraes estamos a caminho de “uma das transições sociais que transformam a sociedade ao longo dos tempos”. A escalada em direção a uma sociedade eminentemente tecnológica, onde a utilização de dispositivos eletrónicos influencia diretamente o nosso dia-a-dia, configura alterações culturais muito expressivas e que serão evidentes a curto,

a médio e a longo prazo, na medida em que estes dispositivos tecnológicos já fazem parte integrante do ecossistema da humanidade. De acordo com os autores estes aparelhos “são formatados e formatam a cultura”.

Simultaneamente, neste cenário global, de dinamismo e mutabilidade crescentes, torna-se particularmente assinalável a influência de um diversificado conjunto de efeitos e tendências associadas à aceleração do progresso científico e tecnológico no domínio artístico. Atualmente, os robôs computorizados já ocupam diferentes tipos de funções, pois podem ser facilmente

interpretar, não só a linguagem de uns e zeros, mas também conseguem diferenciar verdadeiros ou falsos, sins ou nãos e inúmeros códigos e símbolos, da matemática à lógica da linguagem. A velocidade e intensidade da permanente evolução tecnológica e dos novos canais de comunicação são apenas alguns dos condutores primordiais que marcam e provocam a revolução de valores, saberes e perceções em, praticamente, todas as áreas do conhecimento humano. Contudo, embora as máquinas, os computadores e os robôs se destaquem pela velocidade, autonomia e eficiência nos processos produtivos, a criatividade e o pensamento só pode ser concebido pelos humanos.

De acordo com o relatório The Future os Jobs, publicado pelo World Economic Forum (WEF), nos próximos anos vão acontecer diversas mudanças socioeconómicas, geopolíticas e demográficas e estas terão impacto direto na humanidade. Vão desaparecer, por exemplo, algumas profissões e irão nascer outras. O relatório, que analisa o emprego e as competências, conclui que grande parte dos novos modelos de profissionalização estarão ligados a competências sociais dos seres humanos, nomeadamente aquelas que são impossíveis de serem replicadas ou executadas por máquinas. De acordo com este estudo, existem dez competências (soft skills) imprescindíveis: (1) capacidade para a resolução de problemas complexos; (2) pensamento crítico; (3) criatividade; (4) gestão de pessoas; (5) coordenação com outros; (6) inteligência emocional; (7) capacidade de julgamento e de tomada de decisão; (8) orientação para o serviço; (9) capacidade de negociação e (10) flexibilidade cognitiva.

A par dos estudos sobre arte e tecnologia, a temática das competências tem-se tornado também uma constante nos debates académicos e empresariais. No âmbito das manifestações artísticas, tal discussão justifica-se pela crescente necessidade de se atuar de forma muito competente e diferenciada, diante dos atuais processos de globalização e crescente competitividade. A sociedade alterou-se graças ao universo tecnológico, todavia, não podemos – nem queremos – dissociar as competências humanas dos universos artísticos.

A criatividade e a inovação, o pensamento crítico, a flexibilidade cognitiva e a expressão artística, não podem ser extraídas de informações armazenadas em bases de dados. Assim, deve-se considerar sempre a dimensão humana na produção artística e investir na formação contínua e no desenvolvimento de competências que constituem processos de grande importância para a evolução e o desenvolvimento das mais diversificadas formas de expressão e singularidade artística.

As artes e a tecnologia devem permanecer interligadas, potenciando assim a criatividade humana, o pensamento crítico, a flexibilidade cognitiva e as formas de expressão e singularidade dos seus autores. A capacidade de criar, produzir ou inventar é um elemento essencial no contexto artístico e tirar proveito da agilidade tecnológica confere ao artista a oportunidade de beneficiar com o atual cenário de rápidas transformações.

 

 

Referências

Bloem, J. V. (2014). The Fourth Industrial Revolution. Things to Tighten the Link Between IT and OT. Sogeti VINT.

Brynjolfsson, E., & MCAfee. (2017). What it can – and cannot – do for your organization.

Kagermann, H. H. (2013). Recommendations for implementing the strategic initiative INDUSTRIE 4.0: Securing the future of German manufacturing industry; final report of the Industrie 4.0 Working Group.

Kohn, K. &. (2007). O impacto das novas tecnologias na sociedade: conceitos e características da Sociedade da Informação e da Sociedade Digital. XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

World Economic Forum. (2016). The future of jobs: Employment, skills and workforce strategy for the fourth industrial revolution. Geneva, Switzerland: World Economic Forum.

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