Ambiente

Vouzela: fábrica transforma roupa velha em papel

O método não é novo mas é inovador e amigo do ambiente. Uma fábrica de Vouzela, a Moinho, dedica-se a fazer papel - e outros produtos como papel "eletrónico" ou com aromas - a partir de algodão. Em vez de recorrer ao algodão puro, a fábrica aproveita
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O método não é novo mas é inovador e amigo do ambiente. Uma fábrica de Vouzela, a Moinho, dedica-se a fazer papel – e outros produtos como papel “eletrónico” ou com aromas – a partir de algodão. Em vez de recorrer ao algodão puro, a fábrica aproveita roupa velha e desperdícios da indústria têxtil para fazer papel de qualidade ainda com a vantagem de proteger o ambiente.

Rui Silva, responsável pela fábrica, conta com a ajuda de mais oito pessoas para concretizar este processo de fazer papel que é mais demorado do que o método convencional com celulose mas que traz outras vantagens.

Segundo explica Rui Silva ao Boas Notícias, este método já se faz desde a antiguidade: “Os manuscritos duram porque usam uma boa base de algodão”, sublinha, referindo-se à qualidade superior deste tipo de papel que pode durar mais de 300 anos.

A matéria-prima, garante, não é tão abundante mas vale a pena já que na Moinho o desafio é ecológico e não tanto as questões económicas e de produção em série. A indústria têxtil ainda agradece por ter quem recolha os resíduos que de outra forma teriam de ser destruídos.

Do papel que produzem ainda o transformam em objetos exclusivos como embalagens, envelopes, blocos ou livros.

Papel “eletrónico” e com cheiro

Para além desta produção standard, trabalham também consoante os pedidos que lhes chegam. “Por exemplo, uma empresa quis um papel próprio para as novas tecnologias, em que tivemos de aplicar uns fios elétricos. Outra empresa quis papel com aroma a anis, como o do licor que produziam”, conta Rui Silva.

Este tipo de papel têxtil de algodão, segundo explica, é assim propício para absorver aromas durante mais tempo. Incluem nele muitas vezes elementos naturais como folhas e sementes ou mesmo brilhos.

A Moinho, para além de ser uma empresa ecológica, tem ainda um papel social ativo na comunidade local com uma componente educativa dirigida ao nível escolar.

 “São visitas pedagógicas em que as crianças aprendem um conceito diferente do que é uma fábrica. Não vêem grandes chaminés, só vêem água e algodão a transformar-se em papel”, nota Rui Silva que salienta que as crianças são convidadas a trazerem as suas roupas velhas para verem o processo de transformação.

Atualmente a Moinho já exporta para mercados como Espanha e Angola. A curto-prazo pretende chegar à França e à Alemanha, onde pretende cativar um mercado atento especialmente atento à ecologia e que privilegia o que é feito de forma natural. 

Ana Margarida Pereira

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