Saúde

Vitamina C pode aliviar sintomas de depressão

Com inúmeros efeitos benéficos para a saúde, a vitamina C é uma molécula já bem conhecida pela maior parte da população. Agora, investigadores no Brasil apontam outro uso possível da vitamina: aliviar os sintomas de depressão.
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Com inúmeros efeitos benéficos para a saúde, a vitamina C já é uma molécula muito recomendada. Agora, investigadores no Brasil apontam para outro uso possível desta famosa vitamina: aliviar os sintomas de depressão.
 
O estudo, que está a ser imp,implementado há quase dez anos, foi levado a cabo por um grupo de investigadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no Brasil.

A equipa fez vários testes clínicos em ratos para mostrar que o uso de ácido ascórbico (ou da vitamina C) em associação a três antidepressivos disponíveis no mercado (fluoxetina, imipramina e bupropiona) potencia o efeito dos medicamentos nos animais com sintomas de depressão.

 
Os investigadores também provaram que, mesmo quando os antidepressivos são administrados em doses menores do que as que seriam consideradas efetivas, a associação do ácido ascórbico ajuda a reduzir os sintomas de depressão significativamente.
 
“Os antidepressivos têm muitos efeitos adversos, que são inclusive motivo de abandono do tratamento. Se conseguirmos baixar as doses ao associá-los com um agente sem efeitos colaterais, esta seria talvez uma estratégia terapêutica muito promissora no tratamento da depressão”, comenta a investigadora Ana Lúcia Severo Rodrigues.

Os resultados da investigação foram apresentados na 31.ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Foz do Iguaçu, Brasil, na passada quarta-feira. A informação foi divulgada pelo jornal Globo.

 
Neuromodulador com potencial antidepressivo
 
Ao contrário do que se poderia pensar, não é o de papel da vitamina que é responsável pelos efeitos antidepressivos desta molécula.

“O ácido ascórbico é conhecido pela população como uma vitamina hidrossolúvel necessária na alimentação. Mas também é uma substância que modula a função do sistema nervoso”, explica a investigadora Ana Rodrigues.

 
Os efeitos positivos do ácido ascórbico foram observados em ratos cujos sintomas depressivos foram induzidos por meio da administração do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa), uma substância com ação inflamatória.

A equipa de Ana Rodrigues estuda o papel do TNF-alfa na depressão de caráter inflamatório, um tipo apresentado por parte dos pacientes. “Pensamos que o TNF-alfa é um dos componentes envolvidos na promoção do comportamento depressivo”, comenta a investigadora.

 
O ácido ascórbico, por sua vez, atua num sistema de neurotransmissores que pode estar envolvido com o mecanismo inflamatório deste tipo de depressão.
 
A investigação atual consiste em verificar se a vitamina C pode ter como alvo o TNF-alfa.
 
Ana Rodrigues comenta que, apesar de os resultados em animais serem promissores, ainda não são suficientes para recomendar o uso da estratégia a pacientes. Para isso são necessários antes testes clínicos em seres humanos.
 
“A aprovação de testes clínicos neste caso poderia ser mais simples, menos burocrática, pelo fato deste ser um composto isento de efeitos colaterais, que já é utilizado para muitos outros fins. Mas quanto à indústria farmacêutica, é mais complicado, pois esta tem interesse em desenvolver novas moléculas e este é um composto acessível, barato”, diz a investigadora, acrescentando que por esse motivo não há apelo comercial para as investigações com ácido ascórbico.  

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