Saúde

Ucoimbra: Nova estratégia de combate à obesidade

Um estudo pioneiro desenvolvido ao longo de dois anos na Universidade de Coimbra (UC) permitiu estabelecer as relações da irrigação do tecido adiposo com a obesidade e a diabetes tipo 2.
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Um estudo pioneiro desenvolvido ao longo de dois anos na Universidade de Coimbra (UC) permitiu estabelecer as relações da irrigação do tecido adiposo com a obesidade e a diabetes tipo 2. O trabalho foi distinguido com o Prémio Nacional de Diabetologia, no valor de 20 mil euros, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia.
 
Pela primeira vez, uma equipa de investigadores avaliou in vivo (em ratinhos) a eficácia da Ressonância Magnética no estudo dos efeitos da glicação (reação prejudicial entre pequenos carboidratos, como a frutose e a glicose, e um grupo proteico sem a atuação de uma enzima) na irrigação e na expansão do tecido adiposo e suas consequências.  
 
A formação de produtos de glicação avançada ocorre na diabetes tipo 2, resultado do aumento da glicose no sangue, mas também pode ser consequência da ingestão de certos alimentos, presentes nomeadamente na denominada “dieta de cafetaria” (ou seja, comida processada, rica em açucares e sujeita a temperaturas elevadas como os fritos). 
 
Sabendo que o tecido adiposo tem a capacidade de armazenar o excesso de energia ingerida, impedindo a acumulação nociva de gordura noutros locais como o fígado, os investigadores quiseram perceber a relação entre a irrigação do tecido adiposo e a acumulação de produtos de glicação avançada, e o envolvimento deste processo no desenvolvimento da obesidade “não saudável” que dá origem a variadas doenças, como a diabetes.

Os investigadores colocaram a hipótese dos produtos glicados (como os alimentos acima referidos) alterarem a microcirculação do tecido adiposo e a sua expansão adequada, comprometendo desta forma a sua função.


Associar produtos glicados a dieta gorda é o maior erro
 
Foram estudados três grupos de ratos normais: ao primeiro grupo foi administrado um produto glicado, o segundo foi alimentado com dieta gorda (rica em triglicerídeos, como é o caso da gordura animal e vegetal) e o terceiro grupo foi sujeito à combinação de ambos (produto glicado e dieta gorda). 
 
Observou-se que a acumulação de produtos glicados provoca diminuição da irrigação do tecido adiposo e a dieta gorda, isoladamente, induz expansão do tecido adiposo. Mas os investigadores verificaram que é a associação de produtos glicados e da dieta gorda que altera a função do tecido adiposo conduzindo a insulino-resistência local e sistémica. 
 
A investigação mostrou que na expansão do tecido adiposo que ocorre na obesidade, são as alterações microvasculares e da irrigação do tecido adiposo, causadas pela glicação, que levam à perda da sua função com consequências locais e metabólicas sistémicas como aumento dos níveis sanguíneos de glicose e lípidos. 
 
Ou seja, “a acumulação de produtos glicados poderá estar envolvida no desenvolvimento da obesidade “não saudável”, fortemente associada à pré-diabetes e à progressão para diabetes tipo 2″, explica a coordenadora do estudo, Raquel Seiça. 
 
Os resultados desta investigação, nota a Catedrática da FMUC, “revelam ainda que a Ressonância Magnética pode ser uma técnica promissora na deteção e prevenção destas alterações, possibilitando ainda desenhar estratégias terapêuticas que melhorem a função microvascular do tecido adiposo e previnam a obesidade perigosa, que prejudica a saúde, e as suas complicações como a diabetes tipo 2”.

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