Saúde

UAveiro produz vinho branco à prova de alergias

Um grupo de investigadores do Departamento de Química da Universidade de Aveiro (UA) conseguiu produzir vinho branco sem a adição de anidrido sulfuroso, uma substância causadora de reações alérgicas.
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Um grupo de investigadores do Departamento de Química da Universidade de Aveiro (UA) conseguiu produzir vinho branco sem a adição de anidrido sulfuroso, uma substância causadora de reações alérgicas. Este é um método único no mundo visto que este componente é adicionado em todas as fases do processo de vinificação funcionando como um anti-bacteriano.
  
O anidrido sulfuroso – também conhecido por dióxido de enxofre – é uma das razões porque muita gente deixa de beber vinho. Embora autorizado por lei, numa medida de 210 mg/l para os vinhos brancos e rosé, este componente que tem a função de preservar o vinho pode dar muitas dores de cabeça a quem é alérgico.

O segredo do vinho antialergias é “a adição de um polissacarídeo chamado 'quitosana' que é extraído, por exemplo, das cascas dos caranguejos e dos camarões, podendo também ser extraído de fungos”, explica Manuel António Coimbra, responsável pela equipa de investigação do DQ.

Esta descoberta surgiu de um desafio proposto pela empresa produtora de vinhos Dão Sul Sociedade Vitivinícola. A equipa aceitou o desafio e desenvolveu uma película à base desse polissacarídeo que, quando posta em contacto com os vinhos brancos, os preserva a nível microbiológico e mantém as suas características sensoriais (sabor e aroma), sem recorrer ao anidrido sulfuroso.

E ao contrário deste último composto químico, a quitosana, pela forma como é usada, não causa reações alérgicas podendo assim o vinho ser consumido por toda a gente. “Segundo os enólogos, o vinho até fica com melhor qualidade”, assegura Manuel António Coimbra.
  
Método pode ser aplicado a todos os vinhos
  
Este novo método de produção de vinho promete ser um sucesso visto que é uma tecnologia barata e não requer práticas diferentes de vinificação. E com a possibilidade de desenvolver vinhos de maior qualidade o seu valor poderá subir. “O preço do vinho encarece pela sua qualidade e estas películas que estamos a produzir ajudam a proporcionar qualidade aos vinhos”, esclarece o professor.
 
Este projeto está a ser estudado desde 2008 após o desafio da empresa de vinhos, e contou com um financiamento inicial do programa iCentro- Programa Regional de Ações Inovadoras da Região Centro de Portugal, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

As películas à base de quitosana foram desenvolvidas a pensar em todos os tipos de vinhos, nomeadamente os brancos pois são os que requerem mais adição de anidrido sulfuroso durante a sua produção. A patente deste novo método já foi registada.
 
[Notícia sugerida por David Ferreira e Anabela Figueiredo]

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