Saúde

Transplante de medula pode eliminar vírus da SIDA

Um transplante de medula poderá ser a solução para eliminar o vírus da SIDA (VIH, vírus da imunodeficiência humana) do organismo dos pacientes seropositivos. Nos EUA, dois homens portadores do vírus não voltaram a apresentar sinais.
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Um transplante de medula poderá ser a solução para eliminar o vírus da SIDA (VIH, vírus da imunodeficiência humana) do organismo dos pacientes seropositivos. Nos EUA, dois homens portadores do vírus que receberam um transplante de medula como forma de combate a cancros pararam a terapia antirretroviral e, depois do procedimento, não voltaram a apresentar sinais detetáveis da presença do VIH. 
 
O anúncio foi feito por Timothy Henrich e Daniel Kuritzkes,  especialistas do Brigham and Women's Hospital em Boston, instituição parceria da Universidade de Harvard, durante a conferência internacional IAS 2013, dedicada ao tratamento e prevenção do VIH, que decorreu na Malásia, na passada quarta-feira.
 
Segundo os investigadores, embora ainda seja cedo para dizer que os dois homens transplantados estão curados, o facto de o vírus não ter voltado a aparecer na corrente sanguínea vários meses depois do fim do tratamento antirretroviral é um sinal encorajador. 
 
“[Os pacientes] estão muito bem”, afirmou Timothy Henrich. “Mas, embora os resultados sejam entusiasmantes, ainda não indicam que os dois estejam curados. Só o tempo o dirá”, acrescentou o especialista, citado pela AP. 
 
O primeiro indivíduo a ter sido “curado” terá sido o norte-americano Timothy Ray Brown, que, em 2007, foi submetido a um tratamento com células estaminais em 2007 para combater uma leucemia. Após dois anos, Brown já não apresentava quaisquer sinais do vírus.
 
Nesse caso, os médicos recorreram a um dador com uma mutação genética rara que proporciona resistência ao VIH. Porém, nunca nenhum investigador tinha observado resultados semelhantes com células comuns de dadores como as que foram agora transplantadas nos dois pacientes pelos investigadores da Universidade de Harvard.

Vírus poderá estar “escondido” em certos órgãos
 

O ano passado, Henrich e Kuritzkes anunciaram que as análises ao sangue efetuadas aos dois homens – ambos com cancros do sangue – não apresentaram quaisquer sinais do vírus da SIDA oito meses depois do transplante, que substituíram as células cancerosas com células saudáveis de dadores. Porém, à data, os pacientes estavam ainda sob o efeito de medicamentos antirretrovirais.
 
Desde então, os dois interromperam a terapia, um deles há 15 semanas e o outro há 7 semanas, e, até agora, nenhum voltou a mostrar sinais do vírus, revelou Henrich. No entanto, o VIH poderá estar “escondido” em órgãos como o fígado, o baço ou o cérebro e pode regressar nos próximos meses, alertam os investigadores.
 
O especialista adianta que vão ser efetuados testes mais aprofundados às células dos pacientes, bem como ao plasma e aos tecidos, durante pelo menos um ano, para se obter um “retrato” mais fiel do impacto que o transplante de medula pode ter na persistência do VIH.
 
Caso haja uma regressão do quadro clínico e os pacientes voltem a apresentar sinais do vírus, ambos voltarão ao tratamento anterior. Se tal acontecer, ficará provado que há vários locais no corpo humano que são “reservatórios” importantes do vírus, o que vai exigir novas abordagens no sentido da cura, concluiu Henrich.

Notícia sugerida por Elsa Fonseca e David Ferreira

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