Espetáculos e Exposições

Retratos do Mali pós colonial

Jovens vestidas para o baile, amigos orgulhosos com as suas motas, miúdos apaixonados, músicos e os seus instrumentos, festas, mergulhos na praia. Através da sua lente, Malick Sidibé vem retratando as gentes do Mali, desde os anos 60 até aos dias de
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Jovens vestidas para o baile, amigos orgulhosos com as suas motas, miúdos apaixonados, músicos e os seus instrumentos, festas, mergulhos na praia. Através da sua lente, Malick Sidibé vem retratando as gentes do Mali, desde a independência do país, nos anos 60, até aos dias de hoje. São 85 fotos que o doclisboa traz ao Palácio Galveias, em Lisboa. Para ver até 31 de outubro.

Malick Sidibé, 74 anos, é o fotógrafo africano em actividade de maior reconhecimento internacional. O seu estúdio, fundado em 1962 num bairro periférico de Bamako, capital do Mali, continua a ser hoje um local de peregrinação para os habitantes da cidade e para muitos turistas que desejam ser retratados pelo mestre.

Os milhares de clichés tirados por Malick Sidibé ao longo de mais de cinco décadas são hoje um retrato da evolução dos costumes, dos sonhos e valores de várias gerações. Através destas fotografias percebemos como é que diversos grupos dentro de uma mesma sociedade queriam ser retratados.

Nascido em 1936 em Soloba, uma aldeia a 300 km da capital do Mali, Bamako, Malick Sidibé estudou Desenho e Design de Joalharia, distinguindo-se desde logo pelo seu talento para o desenho. Em 1962 abre o seu próprio estúdio e, desde então, o seu trabalho tem arrecadado vários prémios internacionais.

Até 1940, os africanos, sobretudo os das zonas rurais, não aceitavam ser fotografados, muitos acreditavam que o fotógrafo conseguia vê-los nus através da lente e que isso os faria ficar sem alma. Graças ao trabalho de fotógrafos índigenas como Malick Sidibé a fotografia começou a ser aceite em África.

Após várias décadas de trabalho no seu estúdio, Sidibé fotografou “todos os que eram alguém” em Bamako, captando as suas expressões, as suas roupas e trabalhando em harmonia com os “modelos”. Os seus retratos e fotografias documentais são testemunho do desenvolvimento cultural e social do Mali pós-colonial. Hoje em dia Malick é considerado o mais importante fotógrafo africano vivo.

O fotógrafo maliano, que empresta este ano uma das suas fotografias ao cartaz do doclisboa, foi o vencedor do Prémio Photo España Baume & Mercier 2009. Em 2008 foi distinguido com o prémio do Centro Internacional de Fotografia de Nova Iorque, em 2007 coube-lhe o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, e em 2003 com o Prémio Hasselblad (Suécia), em 2003.

Até ao final de outubro podem ser vistas no Palácio Galveias, em Lisboa, 85 fotografias de Malick Sidibé. Uma exposição produzida pela Hasselblad Foundation que o doclisboa – VIII Festival Internacional de Cinema, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, trouxe à capital.

Palácio das Galveias, Campo Pequeno, Lisboa. De 3.ª a 6.ª das 10h00 às 19h00; sábados e domingos das 14h00 às 19h00. Entrada livre.

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