Cultura

Projeto artístico português premiado em evento europeu

O projeto português "Photogrowth: Ant Painting", que cria representações não fotorrealistas de imagens a partir de "formigas pintoras" artificiais, acaba de ser premiado na EvoMUSART, a maior conferência europeia de música e arte revolucionária.
Versão para impressão
Se imaginarmos centenas ou mesmo milhares de formigas a passearem sobre uma fotografia, não nos passa pela cabeça que sejam capazes de produzir imagens artísticas únicas e de rara beleza. Porém, é exatamente isso que acontece no âmbito do projeto português “Photogrowth: Ant Painting”, que acaba de ser premiado na EvoMUSART, a maior conferência europeia de música e arte revolucionária.
 
O projeto de investigação de “formigas pintoras” desenvolvido no Laboratório de Visualização e Design Computacional da Universidade de Coimbra (UC) conquistou o prémio “Best Paper Award” naquele evento europeu, que decorreu em Granada, Espanha, há duas semanas.
 
Em comunicado enviado ao Boas Notícias pela Universidade de Coimbra, Penousal Machado, coordenador do estudo, explica que este projeto artístico é desenvolvido através de um sistema informático baseado em metáforas biológicas que “tem disponível colónias de várias espécies de formigas artficiais prontas a trabalhar”.
 
Estas “formigas pintoras” geram aquilo a que a comunidade científica dá o nome de representação não fotorrealista de imagens. “Cada espécie de formigas cria um estilo de imagem próprio. Assim, perante as preferências indicadas pelo utilizador, as espécies de formigas evoluem de forma a satisfazer o desejo artístico manifestado”, esclarece.
 
Mas, afinal, como acontece o processo de criação artística? “As formigas consomem a energia da fotografia fornecida pelo utilizador, efetuando vários passeios sobre a imagem. Enquanto passeiam geram pinturas da sua autoria noutras telas, de acordo com o desejo artístico indicado”, ilustra o investigador português. 


© Photogrowth: Ant Painting/Steve McCurry

Uma “nova e poderosa ferramenta de autor”

 
Em termos práticos, o “Photogrowth: Ant Painting”, iniciado em 2011, é uma nova e poderosa ferramenta de autor, descreve Perousal Machado, sublinhando que a mesma permite que um simples curioso ou entusiasta das artes, sem conhecimentos técnicos, “exprima as suas preferências estéticas e artísticas”.
 
Esta expressão é feita “através de um programa informático baseado em metáforas biológicas, ou seja, inspiradas na Natureza, e vida artificial”, que possibilita a criação de “imagens únicas e personalizadas de forma intuitiva”, prossegue o docente de Design e Multimédia da universidade portuguesa.
 
Para Penousal Machado, este trabalho, já publicado na revista norte-americana Leonardo, a mais prestigiada revista internacional de arte generativa, “é de grande complexidade” do ponto de vista científico, uma vez que foram desenvolvidos novos algoritmos de inspiração biológica e concebido um interface computacional exclusivo” para o tornar possível.
 
Embora esteja ainda em fase de protótipo, esta ferramenta marca “uma nova abordagem de produção visual que abre um mundo de possibilidades de exploração criativa”, garante Tiago Martins, designer e outro dos investigadores envolvidos no projeto premiado.
 
“É uma ferramenta única, que permite criar imagens únicas, de elevada complexidade e de estilos próprios”, conclui o coautor do estudo.

Veja no vídeo abaixo como funciona o processo de criação artística com recurso a esta ferramenta portuguesa.
 


 
Clique AQUI para conhecer mais sobre este projeto no seu site oficial (em inglês).

Comentários

comentários

Pub

Live Facebook

Correio do Leitor

Subscreva a nossa Newsletter!

Receba notícias atualizadas no seu email!
* obrigatório

Pub