Ciência

Portuguesa descobre insetos a 2000m de profundidade

São insetos minúsculos, que "vivem em total escuridão", desprovidos de asas e de olhos. Para os descobrir, Ana Sofia Reboleira teve de se deslocar até à gruta mais profunda do mundo, numa área remota do Mar Negro.
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São insetos minúsculos, que “vivem em total escuridão”, desprovidos de asas e de olhos. Para os descobrir, Ana Sofia Reboleira teve de se deslocar até à gruta mais profunda do mundo, numa área remota do Mar Negro.

A bióloga, natural das Caldas da Rainha, explica que o animal descoberto é “a última espécie do animal terrestre mais profundo de sempre, ao ser descoberto à impressionante profundidade de 1980 metros abaixo da entrada da cavidade”.

Nunca antes tinha sido descoberta vida a tão grande profundidade, e a descoberta lança “novas luzes sobre a forma como olhamos para a vida na Terra”, explica à Lusa a bióloga da Universidade de Aveiro, uma das protagonistas do feito alcançado.

Animais adaptados à profundidade

Como foi publicado, na terça-feira, na revista científica “Terrestrial Arthropod Reviews”, os animais têm o nome de colêmbolos e são insetos primitivos que desenvolvem, há milhões de anos, mecanismos de adaptação que os permitem viver a grandes profundidades.

A descrição, feita pelos zoólogos da Universidade de Navarra, Rafael Jordana e Enrique Baquero, indica que algumas das características que permitem aos insetos adaptarem-se à escassez de luz e de alimento são o facto de não possuírem pigmentação, serem desprovidos de olhos, e de desenvolverem “estratégias morfo-fisiológicas que lhes permitem viver em grandes profundidades durante milhões de anos”.

Colêmbolos descobertos na gruta mais profunda do mundo

Os seres vivos foram encontrados durante uma expedição Ibero-Russa do CAVEX Team, durante a qual Ana Sofia Reboleira, em conjunto com Alberto Sendra, do Museu Valenciano de História Natural, descobriu, ao todo, quatro espécies desconhecidas até à data.

A viagem, que aconteceu no verão de 2010, tinha como missão chegar a uma gruta que chega aos 2191 metros de profundidade, conhecida como Krubera-Vorónia, e que se situa na Abcásia, uma área remota nas montanhas do Cáucaso Ocidental e perto do Mar Negro. Pela primeira vez foi descoberta fauna no

Estas não são as primeiras espécies descobertas por Ana Sofia Reboleira que, durante o trabalho realizado em grutas da Serra D'Aires e Candeeiros, no Algarve e em Montejunto, tinha já descoberto três escaravelhos e um pseudoescorpião.

Pode consultar uma infografia sobre o inseto descoberto e sobre a expedição Iberto-Russa AQUI.

[Notícia sugerida por Raquel Baêta e Patrícia Guedes]

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