Negócios e Empreendorismo

Português cria mundos de sonho em quartos infantis

Um dia, o ilustrador Jorge Mateus decidiu pintar na parede do quarto do filho a personagem preferida do seu mundo de fantasia: um grande pirata numa ilha. E foi ao ver a felicidade a brilhar nos seus olhos que surgiu a ideia do ateliê "O Meu Quarto é
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Desde cedo que Jorge Mateus e o filho começaram a desenhar em conjunto e a comunicar através das representações de animais, estrelas, carros ou planetas, simples como as de qualquer desenho infantil. Um dia, o ilustrador português decidiu pintar-lhe na parede do quarto a personagem preferida do seu mundo de fantasia: um grande pirata numa ilha. E foi ao ver a felicidade e o espanto a brilharem nos seus olhos de criança que surgiu a ideia de criar o ateliê “O Meu Quarto é…” que tem transformado em cenários de sonho os quartos de muitos meninos e meninas.

por CATARINA FERREIRA

Aos 41 anos, Jorge Mateus já fez de tudo um pouco, desde ilustração – foi ilustrador residente durante 10 anos no Diário de Notícias e colaborou também com as revistas Super Jovem, Omnia, Exame, Executive Digest e jornais como o Público – a cartoons, caricaturas e até filmes de animação, mas, com a entrada do filho na sua vida, despertou para o universo fantástico para o qual somente os mais pequenos conseguem transportar-nos.

“O nascimento do meu filho terá sido, de facto, o embrião do projeto”, admite o ilustrador em entrevista ao Boas Notícias. “O Barnabé, o pirata da pintura, tornou-se o seu melhor amigo imaginário. E eu percebi que era muito motivador e estimulante conseguir representar os sonhos de uma criança numa parede e, com isso, criar nela uma enorme alegria”, conta Jorge.

Ao contrário do que é habitual na pintura mural, normalmente “densa e pesada”, o ateliê criado por Jorge, com um conceito inédito, procura ilustrar o imaginário com leveza, recriando os ambientes idealizados pelas crianças, sejam eles uma floresta, um castelo de princesa, uma pista de corridas, um jogo de futebol ou uma mesa de chá com a “maravilhosa” Alice da Disney.

Quartos que ficam para sempre na memória

“Deixamos as paredes respirar”, explica o artista. Além de apostar em tecnologias que permitem criar, por exemplo, um céu com estrelas a brilhar ou uma pintura magnética onde é possível escrever com giz, o ateliê português investe também na segurança das crianças e faz questão de que elas estejam envolvidas no processo de criação.

“Usamos tintas totalmente direcionadas para crianças. Uma vez que não são tóxicas, são hipoalergénicas e não transmitem cheiro, elas podem acompanhar a pintura do princípio ao fim”, salienta Jorge, acrescentando que a reação de miúdos e graúdos tem sido “muito boa” e que os pais têm compreendido como uma obra deste tipo pode dar aos filhos “um quarto que ficará para sempre na sua memória”.

Até ao momento, o ateliê “O Meu Quarto é…”, que funciona em pleno há menos de um ano, já realizou mais de 80 trabalhos. Os preços das pinturas variam entre os 250€ e os 350€, embora possa haver diferenças consoante a maior ou menor complexidade, mas há outras alternativas disponíveis, desde lençóis ou cortinados pintados à mão a caricaturas e histórias em BD que retratam a vida da própria criança ou um acontecimento que a tenha marcado.

Apesar dos muitos espaços que já decorou, Jorge fala com uma emoção particular de duas experiências: a decoração das enfermarias pediátricas e da maternidade do Hospital de São Tomé e Príncipe e da sala de fisioterapia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

“São dois trabalhos que muito me orgulham e pelos quais tenho um carinho especial. Pensar que, com o meu trabalho, proporcionei alguma alegria a uma criança ou ajudei no seu tratamento é extremamente compensador”, confessa o artista português.

Conceito para alargar a adolescentes e adultos

O sucesso do ateliê tem sido tal que o seu mentor está já a apostar na expansão e na adaptação da oferta a outras faixas etárias, nomeadamente à dos adolescentes – com os quartos 3D, em que são inseridos objetos tridimensionais que projetam a pintura para dentro do quarto – e dos adultos.

“Para além das pinturas das instituições, começamos a receber pedidos de empresas e os espaços como hotéis ou restaurantes, assim como particulares, também nos atraem. Já me desafiaram, por exemplo, para pintar uma árvore numa sala de estar”, desvenda.

É assim que, passo a passo, o ateliê do ilustrador português, que atualmente colabora com o jornal Expresso, as revistas Visão e Time Out e as editoras Leya e Azul Caramel, ganha posição no panorama nacional e conquista a admiração de pessoas de todas as idades. Tudo graças a uma proposta inovadora e personalizada mas, sobretudo, ao lema que ordena que “o sonho seja o limite”.

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