Saúde

Português ajuda a criar vacina para crianças autistas

Um investigador português ajudou a desenvolver, no Canadá, a primeira vacina de sempre contra uma bactéria intestinal associada ao autismo que poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida das crianças com este tipo de disfunção.
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Um investigador português ajudou a desenvolver, no Canadá, a primeira vacina de sempre contra uma bactéria intestinal associada ao autismo que poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida das crianças com este tipo de disfunção comportamental.
 
Mário Monteiro, professor de Química da Universidade de Guelph, na província canadiana de Ontário, criou, em conjunto com a estudante de mestrado Brittany Pequegnat, uma vacina que ataca a bactéria “Clostridium bolteae”, produzida no intestino.
 
Em comunicado, a universidade canadiana explica que esta bactéria é conhecida pelo papel que desempenha numa série de distúrbios gastrointestinais, manifestando-se em quantidades mais elevadas no organismo das crianças autistas do que no das crianças saudáveis.
 
Com efeito, mais de 90% das crianças autistas sofrem com problemas gastrointestinais crónicos, pelo que esta vacina poderá ajudar a melhorar os tratamentos atuais, que passam pela administração de antibióticos.
 
“Esta é a primeira vacina destinada a controlar a obstipação e a diarreia potencialmente causadas pela bactéria C. Bolteae e, quem sabe, sintomas do autismo que estão relacionados com este micróbio”, explica Mário Monteiro, que publicou, em 2013, um estudo sobre o desenvolvimento da vacina na revista científica “Vaccine”.
 
Embora se desconheçam as razões pelas quais a incidência do autismo aumentou quase seis vezes nos últimos 20 anos e determinados grupos de cientistas acreditem que tal se deve a fatores ambientais, há investigadores que defendem que o intestino humano pode influenciar o desenvolvimento da doença, nomeadamente através das toxinas e metabólitos que produz.
 
Esta vacina inédita contra a bactéria C. bolteae tem como alvo um complexo específico de hidratos de carbono que se encontram na sua superfície e, em testes realizados com coelhos, conseguiu desencadear um aumento de anticorpos protetores. 
 
Os anticorpos adicionais produzidos pela vacina poderão também ser utilizados para detetar a bactéria em contexto médico, explica Mário Monteiro, que acrescenta, porém, que serão necessários mais de 10 anos para a realização de ensaios pré-clínicos e clínicos em humanos, pelo que a vacina deverá demorar mais de uma década a chegar ao mercado.
 
“Ainda assim, este é um primeiro passo muito significativo na construção de uma vacina com múltiplas valências destinada a combater várias bactérias intestinais associadas ao autismo”, finaliza.

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês). 

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