Ambiente

Portugal quer ter o primeiro banco de leite de golfinho

Mas uma investigadora portuguesa conseguiu definir as regras para criar o primeiro banco de leite de golfinho do mundo, o que poderá evitar grande parte das mortes precoces destas crias.
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A mortalidade das crias de golfinhos roazes, em cativeiro, ronda os 09 por cento e uma das principais causas de morte é a falha nos cuidados maternos. Mas uma investigadora portuguesa conseguiu definir as regras para criar o primeiro banco de leite de golfinho do mundo, que poderá salvar a vida de milhares de crias.

por Patrícia Maia
 

À semelhança do que acontece com os bancos de leite humano, estas reservas de leite de golfinho mantidas no frio podem salvar a vida de milhares de crias que, por diversas razões, ficam privadas do aleitamento materno.   
 
Numa investigação realizada em parceria com o Zoomarine, Mariana Silva, que fez o mestrado em Medicina Veterinária na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), conseguiu estabelecer as 'guidelines' (linhas de orientação) que é necessário cumprir para preservar o leite de golfinho no frio.  
 
Junto dos golfinhos do Zoomarine, a investigadora pode confirmar que o “leite não tem alterações significativas quando é congelado a 20 graus Celcius negativos num prazo máximo de seis meses”, explica ao Boas Notícias.  
 
“Isto é importante porque o leite materno apresenta grandes vantagens em relação à utilização das fórmulas artificiais que são usadas já que estas não têm o nível calórico necessário nem os nutrientes”, acrescenta a investigadora.   
 
O objetivo, agora, é criar, juntamente com o Zoomarine, o primeiro banco de leite de golfinho do mundo para socorrer crias em risco, sendo que estas 'guidelines', que vão ser apresentadas no 43.º Simposium Anual da Associação Europeia para os Mamíferos Aquáticos, na Suécia, poderão ser aplicadas por qualquer instituição que mantenha golfinhos roazes. 
 
Ainda segundo a investigadora, a criação destes bancos reveste-se de uma maior importância depois de uma investigação realizada ao longo de 20 anos em alguns aquários e zoos norte-americanos ter confirmado que uma das principais causas de mortalidade das crias de golfinhos é a falha dos cuidados maternos (entre elas a falha na amamentação, que pode ser motivada por diferentes fatores).   
 
Para realizar esta investigação, Mariana Silva recolheu leite das fêmeas do Zoomarine a fim de confirmar a preservação do seu valor nutritivo. “Eles já tinham um banco de leite mas queriam saber se funcionava e o que seria necessário para preservar os valores do leite”, salienta.  
 
A investigadora sublinha que o leite foi recolhido perante as fêmeas que se voluntariaram. Ou seja, foi recolhido dos “animais que se aproximassem e que se colocassem de barriga para cima”. Depois, essas fêmeas recebiam “uma massagem para favorecer a condução do leite que era recolhido”.   
 
Para além de Mariana Silva, estão também envolvidas nesta investigação Ana Luísa Lourenço, docente e investigadora da UTAD, e Carla Anne Flanagan, médica veterinária do Zoomarine.

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