Ambiente

Portugal já reciclou mais de 285 mil veículos

Um carro velho pode renascer como torradeira e um pára-brisas ou pode transformar-se num serviço de chá, desde que passe pelos centros de abate, onde mais de 287 mil automóveis já foram reciclados desde 2004. Estes números colocam Portugal no 9º luga
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Um carro velho pode renascer como torradeira e um pára-brisas ou pode transformar-se num serviço de chá, desde que passe pelos centros de abate, onde mais de 287 mil automóveis já foram reciclados desde 2004. Estes números colocam Portugal no 9º lugar em termos de reciclagem de veículos em fim de vida (VFV) entre os 27 Estados-membros da União Europeia.

Cumprindo uma diretiva europeia sobre veículos em fim de vida, as 420 mil toneladas de resíduos provenientes destes automóveis, considerados resíduos perigosos, foram sujeitas a reciclagem e os ácidos, óleos, chumbo e outros poluentes foram recolhidos, uma realidade que os ambientalistas aplaudem, sem deixar de apontar falhas no sistema.

Em seis anos, mudou a lei, que passou a impor que os centros de desmontagem e reciclagem tenham licença e contrato com a Valorcar, uma entidade privada cujo capital é maioritariamente detido pela Associação Automóvel de Portugal.

Ricardo Furtado, diretor da Valorcar, sublinha, em declarações à agência Lusa, que também o Estado “simplificou o processo de licenciamento” e introduziu o Imposto Único Automóvel, penalizando os proprietários que não cancelem a matrícula, que têm que continuar a pagar.

Incentivos ao abate

Além disso, os proprietários que entreguem os veículos com mais de dez e quinze anos a centros autorizados têm direito a descontos na compra do carro novo. Durante o ano de 2010, o valor do desconto é de ?750 caso se entregue um veículo com mais de 10 anos e de 1000? caso se entregue um veículo com mais de 15 anos.

Ricardo Furtado salienta que desde 2004, quando o Estado passou a intervir, o número de estabelecimentos licenciados aumentou “de quatro para 64” e a lógica do mercado deixou de ser “só a do lucro”.

“Mas há operadores ilegais no mercado, é assim que os carros desaparecem das estatísticas. A solução não será encerrar empresas, mas garantir que estas cumprem os requisitos”, defendeu.

O diretor da Valorcar acrescentou que “as pessoas acabaram por também se adaptar a uma nova realidade e, se antes abandonavam os carros na via pública por não terem alternativa, hoje podem andar meia dúzia de quilómetros até ao centro mais próximo e deixar lá o veículo de graça, com a garantia do cancelamento da matrícula e do registo”.

Portugal em 9º lugar da UE

Ricardo Furtado referiu que “o próprio Eurostat coloca Portugal em nono lugar entre os 27 na taxa de reciclagem de veículos”, indicando que, segundo a diretiva, a taxa de reciclagem de cada veículo deverá subir dos atuais 85 por cento para 95 por cento em 2015.

Através da reciclagem, vidros, metais, plásticos e todos os outros materiais e componentes de um automóvel podem ser reaproveitados para a indústria automóvel ou para qualquer outro setor, de acordo com as necessidades do mercado, explicou.

No dia 23 de setembro, responsáveis governamentais do ambiente, do setor da reciclagem e ambientalistas debateram os dez anos da diretiva comunitária no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

No debate participou a Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, Dulce Álvaro Pássaro, que deu a conhecer o trabalho que está a ser feito em Portugal e que permitiu, nos últimos dez anos, a reciclagem e valorização de mais de 285 mil veículos.

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