Inovação e Tecnologia

Portugal desenvolve call center para surdos

Portugal está a desenvolver um projeto, o Serviço Vídeo-Intérprete, que irá permitir à comunidade surda aceder a 100% das valências dos serviços de telecomunicações atuais. A falta de acesso a estes serviços é um forte fator de exclusão da comunidade
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Portugal está a desenvolver um projeto, o Serviço Vídeo-Intérprete, que irá permitir à comunidade surda aceder a 100% das valências dos serviços de telecomunicações atuais. A falta de acesso a estes serviços é um forte fator de exclusão da comunidade surda que neste momento tem cerca de 150 mil pessoas.

por Patrícia Maia

O Serviço Vídeo-Intérprete, que já esteve a funcionar um ano em modo experimental, consiste na criação de um call center, com funcionamento de 24 horas/dia, que contará com a presença permanente de intérpretes da língua gestual. Ao ligar para o call center, o surdo pede o estabelecimento de uma chamada para o destino desejado e o intérprete fará a tradução simultânea da conversação.

Além dos telemóveis com tecnologia 3G (vídeo em tempo real), o call center pode ser acedido através de um computador com o acesso à Internet, desde que se faça o download grátis do software Softphone.

Para as pessoas mais idosas, com dificuldades de sair de casa, ou outras situações que exijam rede fixa, existe ainda um equipamento de videotelefone fixo munido de um ecrã que possibilita a realização de chamadas com som e vídeo. Este último equipamento tem de ser previamente encomendado na associação ou diretamente na empresa que desenvolve este produto, a Zonadvanced.

Sem custos para o utilizador

O projeto Serviço Vídeo-Intérprete está a ser desenvolvido pela Associação Portuguesa de Surdos, a Federação Portuguesa das Associações de Surdos e pela empresa Zonadvanced, empresa de vídeochamadas e telecomunicações, que desenvolveu gratuitamente todo o equipamento e software necessário.

Para além dos custos normais das chamadas e da utilização da Internet, este serviço não qualquer despesa adicional para os utilizadores. A intérprete da Associação Portuguesa de Surdos, Ana Fernandes, sublinha até que a TMN e a Vodafone, “as redes mais utilizadas pelos jovens surdos, aceitaram estabelecer um tarifário reduzido para este serviço de 1 cêntimos por minuto”.

A intérprete de LGP (língua gestual portuguesa) salienta ainda, em declarações ao Boas Notícias, que este projeto “é muito importante para que as pessoas se sintam mais autónomas já que os surdos não têm interpretes à sua disposição sempre que necessitam”, e deste modo vão “sentir-se muito mais autónomos”.

Surdos não têm acesso a 112 nem a cabines telefónicas

Ana Fernandes afirma que um dos fatores que mais contribui para a exclusão dos cidadãos surdos é o facto de “não terem acesso aos serviços de telecomunição que estão disponíveis à maioria da população”.

“Os surdos não têm acesso a qualquer serviço de emergência como o 112, nem sequer através de SMS. E mesmo serviços como as linhas de saúde ou os serviços das finanças não estão preparados para receber vídeo chamadas em língua gestual”, explica Ana Fernandes. A intérprete sublinha ainda a questão das cabines telefónicas públicas, que também não estão preparadas para os surdos.

“A inclusão está muito na moda mas para ter um verdadeiro significado tem de ser posta em prática”, salienta a intérprete. O projeto Serviço Vídeo-Intérprete também inclui a integração de equipamento para surdos nas cabines dos CTT.

Para avançar definitivamente e de modo oficial, este projeto aguarda apenas uma aprovação por parte do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e do Instituto Nacional para a Reabilitação, que já receberam a proposta em 2009.

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