Ambiente

Portugal desenha autocarros mais leves e eficientes

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Um grupo de empresas portuguesas está a desenvolver um projeto inovador para tornar os autocarros mais ecoeficientes, leves e confortáveis. O IBUS pretende construir componentes para o interior e exterior dos autocarros de turismo usando materiais tipicamente portugueses, como a cortiça e o couro, sob o acompanhamento da Caetanobus.

No início do mês o projeto foi apresentado em Birmingham, Londres, na feira “Coach and Bus Live 2011”. Um protótipo à escala real esteve exposto entre 200 outros produtos. A produção de uma “mock-up”, correspondente a uma secção de um autocarro de turismo com 2,4 metros de comprimento, era precisamente o objetivo do consórcio entre a Caetano Components, Amorim Cork Composites, da CORTICEIRA AMORIM, Couro Azul, SET e a entidade do SCT – INEGI com a participação da empresa de design industrial Almadesign

Depois da produção deste protótipo, o consórcio pretende começar, de fato, a produzir estes componentes a curto prazo. “Quase todos os componentes foram desenhados na perspetiva de serem produzidos a curto prazo e resolverem de imediato problemas pertinentes deste tipo de produtos”, explicou ao Boas Notícias, José Rui Marcelino, designer manager da Almadesign.

Caetanobus é potencial compradora

Entre as soluções encontradas pelo projeto IBUS estão bancos de passageiros mais finos e confortáveis com sensor de cinto de segurança; sistemas de bagageiras de inspiração aeronáuticas; sistema de iluminação integrado na bagageira ativa por proximidade; tapa-pernas mais fino, seguro e confortável; tampas exteriores de bagageiras com núcleo de cortiça, 50% mais leves; painéis laterais também com núcleo de cortiça; e um piso em cortiça, com melhor isolamento térmico e acústico.

O resultado são veículos com um peso total da carroçaria menor, o que traz benefícios ao nível do consumo, performance e estabilidade do veículo, melhorando os seus custos de operação e manutenção, explica a Amorim em comunicado.

Até ao momento ainda não existem compradores efetivos para estes componentes, mas José Rui Marcelino explicou ao Boas Notícias que a Cetanobus, “como participante desde o início do projeto, está em situação privilegiada para adotar as soluções desenvolvidas.”

“Foi uma premissa do projeto ter um potencial comprador desde o seu início. Após um período de decisão de cerca de seis meses, a Caetaobus poderá decidir incorporá-las nos seus produtos ou deixá-las disponíveis para todo o mercado”, explica.

Menores custos de operação e melhor eficiência

Caso a ideia vá para a frente, os custos de produção de um autocarro equipado com estes elementos não vai muito além do de um autocarro comum.

“Mas mais importante do que o preço por peça é o que se ganha em termos de peso, qualidade final, tempo de montagem, conforto, integração, reciclabilidade e tempo de vida dos produtos, menor custo de operação, melhor performance do veículo e dos seus sistemas e imagem geral do produto. Tudo isso paga-se. E se o custo for da mesma ordem de grandeza, então as vantagens são evidentes”, disse o designer manager da Almadesign.

O projeto requereu um investimento de cerca de um milhão de euros e foi financiado pelo FEDER/UE e pelo QREN, no âmbito do Compete – Programa Operacional Fatores de Competitividade.

Nos dias 22 a 30 de outubro o IBUS vai estar na Bienal 2011 – Conferências Internacionais, na Marinha Grande.

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