Saúde

Parkinson: Trabalho luso no Journal of Neuroscience

O investigador português Tiago Fleming Outeiro e a sua equipa identificaram o funcionamento de uma proteína que afeta a memória em doentes de Parkinson. O trabalho vai ser publicado esta quarta-feira no prestigiado Journal of Neuroscience.
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O investigador português Tiago Fleming Outeiro e a sua equipa identificaram o funcionamento de uma proteína que interefere com a comunicação entre células do cérebro, afetando a memória em doentes de Parkinson. O trabalho, que vai permitir testar novos fármacos para combater o problema, é publicado esta quarta-feira na prestigiada revista científica Journal of Neuroscience.
 
Em declarações à Lusa, Tiago Outeiro, que liderou a investigação desenvolvida por uma equipa do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina de Lisboa, afirmou que os resultados abrem “uma enorme perspetiva para intervir a este nível, quer tentando impedir a acumulação desta proteína fora das células, porque sabemos que aí está a causar estes problemas, quer utilizando fármacos, drogas, que possam interferir com estas proteínas, modelando a comunicação neuronal”.
 
“Vimos que os oligomeros da proteína alfa-sinucleína alteram e interferem na transmissão sináptica, a comunicação entre as células nesta área, que é muito importante para os processos de memória e aprendizagem”, explicou o investigador.
 
A conclusão é particularmente relevante porque tornará possível a intervenção ao nível dos sintomas da doença de Parkinson, que, até hoje, “não tem sido possível porque não se conheciam estes mecanismos”. 
 
Embora estudos recentes tenham demonstrado que uma das proteínas associadas à doença de Parkinson é detetada também fora das células do cérebro, não se sabia quais as consequências ou o tipo de formas mais problemáticas da proteína.

Investigação portuguesa traz nova esperança
 

 Os investigadores portugueses testaram, então, o efeito de três tipos de aglomerados da alfa-sinucleína fora das células no contexto da função neuronal e obtiveram esclarecimentos.
 
“Observámos que apenas um tipo  específico destas formas de proteína, os oligomeros de alfa-sinucleína, é capaz de afetar a comunicação neuronal”, cientificamente designada “transmissão sinpática”, esclareceu o especialista. 
 
“Foi na zona do hipocampo, associada, por exemplo, à formação da memória, que detetámos esses efeitos e foi aí que focámos este estudo para perceber de que forma a proteína causa problemas”, acrescentou.
Quando os neurónios deixam de comunicar de forma eficiente ou normal surgem diversos problemas como a doença de Parkinson e parte dos doentes acabam por desenvolver problemas cognitivos, de memória, de aprendizagem ou psicológicos. 
 
Porém, a investigação portuguesa liderada por Tiago Outeiro poderá trazer novas esperanças. “Há uma oportunidade muito grande de se testarem novos fármacos para aspetos particulares da doença, até agora menos possíveis de ser tratados, e corrigir defeitos na comunicação neuronal”, sublinhou.
 
Além disso, concluiu o investigador, os resultados permitirão também “encontrar fármacos que possam evitar a acumulação destes oligomeros de alfa-sinucleína nos cérebros dos doentes de Parkinson”.
 

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