Ciência

Paleontólogos descobrem nova espécie de hominídeo

Um grupo de palentólogos do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da Alemanha encontrou evidências de que o Homo erectus, o nosso antecessor direto, não estaria sozinho, contando com a companhia de "primos afastados" do Homem atual.
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Um grupo de palentólogos do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva da Alemanha encontrou evidências de que o Homo erectus, o nosso antecessor direto, não estaria sozinho: fósseis descobertos revelam que, há cerca de dois milhões de anos, havia pelo menos mais duas espécies de hominídeos que podem até ter partilhado o mesmo espaço e que serão como “primos afastados” do Homem atual.
 
Uma equipa coordenada por Meave Leakey encontrou, numa jazida no Quénia, os fósseis de dois maxilares inferiores de adulto e parte do rosto e arcada dentária de uma criança que não pertencem a nenhuma das espécies conhecidas até ao momento, o que levou os especialistas a concluir que o nosso parente ancestral mais próximo terá tido a companhia de outros indivíduos semelhantes.
 
Segundo o grupo de investigadores, que publicou recentemente os resultados do estudo efetuado na revista científica Nature, estes indivíduos não seriam Homo erectus sendo, em vez disso, uma espécie de parentes distantes que, no passado, teriam partilhado uma origem comum.
 
As novas espécies, todas do paleolítico, possuem “um perfil muito distinto” e, consequentemente, são “algo de muito diferente”, afirmou Meave Leakey, coordenadora do trabalho, citada pela AP a propósito da publicação das conclusões.  

Espécies não terão interagido entre si
 

Os fósseis em questão aproximam-se, porém, de um velho fóssil encontrado em 1972, que corresponderia a uma espécie contemporânea dos nossos antecessores e sobre a qual incidiu o estudo.

Trata-se de um crânio, batizado 1470, cujas caraterísticas também não encaixavam com as do Homo erectus e que dataria de há dois milhões de anos, tendo sempre constituído um verdadeiro enigma para os cientistas. 
 

No entanto, a equipa de Leakey salienta que outros fósseis já encontrados – não mencionados no artigo – não se enquadram em nenhuma das duas, pelo que haveria não duas, mas sim três espécies de hominídeos: o Homo erectus, a espécie de 1972, da qual fariam parte os fósseis descobertos no Quénia, e uma terceira, que, para já, não recebeu nome por parte dos especialistas por estarem ainda a ser analisadas as informações disponíveis.
 
“Estas três espécies terão vivido na mesma época e no mesmo local, mas é provável que não interagissem muito entre si”, esclareceu Fred Spoor, co-autor do estudo. Ainda assim, “há dois milhões de anos, a África oriental era um lugar muito populoso”, garantiu.

As duas outras espécies terão acabado por se extinguir, pelo que “a evolução humana não seguiu uma linha unidirecional”, apontou o arqueólogo.
 

A descoberta está a gerar grande debate entre a comunidade internacional de palentólogos e antropólogos, sendo que muitos deles têm preferido aguardar por mais detalhes até manifestarem uma posição quanto à efetiva existência das três espécies.

Clique AQUI para aceder ao artigo publicado na Nature (em inglês).

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