Cultura

Oiça a voz de Bell 128 anos depois

Depois de mais de um século em silêncio, uma mensagens gravada num disco de cera foi convertida em som revelando a voz de Alexander Graham Bell, o inventor do telefone.
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Foi precisamente há 128 anos que o inventor do telefone, Alexander Graham Bell, conseguiu, com sucesso, uma outra experiência sonora: gravar sons em discos de cera. Depois de mais de um século em silêncio, uma dessas mensagens foi convertida em som revelando a voz do próprio Bell. 
 
Esta voz vem de um passado distante pelo que não nos surpreende a sua qualidade rarefeita e o ruído que se sobrepõe à voz do inventor. No entanto, estes pequenos defeitos não retiram emoção à experiência de ouvir esta gravação de voz secular.

“Hear my voice, Alexander Graham Bell” ('Oiçam a minha voz, Alexandre Graham Bell', traduzindo para português). É assim que termina o registo sonoro que revela a voz de Bell com um forte sotaque escocês. Antes de ditar o seu próprio nome, Bell pronuncia uma série de números e valores monetários, pelo que os especialistas acreditam que Bell estaria a desenvolver esta máquina com o objetivo de a divulgar na área empresarial.

O disco, que estava acompanhado de uma transcrição em papel assinada pelo próprio Bell, manteve-se preservado na coleção de registos sonoros históricos do museu norte-americano Smithsonian, em Nova Iorque. De acordo com os especialistas do museu, este é o único registo existente da voz de Bell.
 
Carlene Stephens, curadora do Smithsonian's National Museum of American history, teve acesso a este registo e outros registos do cientista quando começou a trabalhar no museu, nos anos 70, mas não teve coragem de os por a tocar, com medo de danificar as peças. “A sua natureza experimental e frágil fazia com que fosse desadequado pô-los a tocar,”, disse a curadora à agência Reuters.
 

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Detalhe do disco de cera com as iniciais de Alexander Graham Bell (1885) ©  Smithsonian's Museum
 

“Reconhecemos o valor deste material para a história dos registos sonoros (…) pelo que decidimos guardá-los num local seguro na esperança de que um dia a tecnologia permitisse que se voltasse a ouvir os seus conteúdos”, acrescentou.
 

Em 2008, o sonho de Stephens aproximou-se da realidade quando a curadora soube que um grupo de cientistas do Lawrence Berkeley National Laboratory tinha conseguido recuperar uma música francesa, intitulada “Au Clair de la Lune”, de um disco de 1860 gravado em papel coberto com fuligem.
 
Se estes cientistas conseguiram a proeza de extrair registos sonoros de simples papel, Stephens acreditou que estariam à altura da tarefa de ler os discos de cera de Bell, pelo que a curadora entrou em contacto com a equipa de Berkeley. 
 
Primeiro, os investigadores fizeram cópias 3D com alta definição de seis das gravações. Depois, os especialistas em conversão digital Carl Haber e Earl Cornell usaram algoritmos para transformar a imagem em som, sem tocar nos delicados discos, através de um sistema conhecido como IRENE/3D (Image, Reconstruct, Erase Noise, Etc).

Com o apoio de várias entidades, o museu vai dar continuidade à conversão dos discos de Bell, e de outros registos da sua coleção, que irá disponibilizando ao público.


Clique AQUI para ler o comunicado do Smithsonian's National Museum (em inglês).

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