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Oficina da Psicologia: Como enfrentar os problemas?

Comecemos pelo que todos temos em comum: problemas para resolver. Todos enfrentamos os mais variados desafios no nosso dia-a-dia, seja a discussão com o cônjuge, o erro no trabalho, a falta de tempo para os filhos?
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Comecemos pelo que todos temos em comum: problemas para resolver. Todos enfrentamos os mais variados desafios no nosso dia-a-dia, seja a discussão com o cônjuge, o erro no trabalho, a falta de tempo para os filhos… O que nos distingue uns dos outros é, muitas vezes, a forma que encontramos para lidar com estes problemas. 

por Inês Custódio, Psicóloga Clínica

 

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Ao falarmos desta capacidade, falamos de estilos de 'coping', um termo cada vez mais utilizado fora dos muros da psicologia e que pode ser descrito como a escolha e aplicação de uma estratégia/solução para alterar o contexto problemático com que nos defrontamos. 

Assim, o nosso estilo de 'coping' depende de três coisas muito importantes: 
 
1) de mim (da minha forma de ser/ das minhas experiências de vida), 
2) da forma como esta situação me faz sentir e 
3) do problema em si!
 
Abaixo seguem alguns dos estilos de coping a que mais recorremos:
 
'Coping' focado no problema: Neste modo tendemos a procurar uma solução mais direta, trabalhamos de forma a resolver/alterar o próprio problema. (Exemplo: “peço ajuda a um colega para corrigir o erro que fiz no trabalho de ontem!”
'Coping' focado na emoção: É um estilo que está mais focado na capacidade de reduzir o nosso desconforto emocional perante o problema, ou seja, não estou focado em resolver o problema em si, mas em lidar com a ansiedade, irritação ou tristeza … que este me provoca. “Ex: “Saio de casa e vou caminhar para controlar a minha ansiedade”).
'Coping' focado na fuga: Neste estilo, procuramos não estar em contacto com o que é mais difícil e tentamos distrair-nos ou não pensar sobre o assunto (ex: “Não há mais nada que possa fazer sobre a discussão de ontem, por isso vou focar-me na tarefa que tenho para fazer”).
 
Ao vermos estas descrições facilmente recordamos que “ainda no outro dia lidei com a discussão com a minha mãe encontrando uma solução para o problema” ou “tentei desligar-me das atitudes do meu filho para não me sentir tão triste”… isto mostra o quão flexíveis somos e como procuramos diferentes soluções, para diferentes problemas.

No fundo, qualquer uma destas soluções pode ser boa, dependendo das circunstâncias em que as utilizamos. Devemos, assim, focar no problema quando podemos resolve-lo diretamente; tentar regular as nossas emoções quando a solução não depende unicamente de nós; e até tentar afastar-nos de um problema que sabemos que à partida não tem solução. 


Até aqui tudo bem, porém, os estudos mostram que um estilo de coping se torna exatamente nisso: um estilo, algo a que recorremos a maior parte das vezes, quase de forma inconsciente e sem percebermos realmente se esse é o comportamento mais adequado para resolvermos a situação. O que acontece é que damos por nós agarrados a uma forma de lidar com as situações, que nem sempre será a melhor.
 
Assim, “abusar” de estratégias de resolução emocional parece estar ligado ao aparecimento e manutenção de sintomas depressivos, problemas com ansiedade e abuso de substâncias. O que acontece é que o foco na emoção pode levar a que esta se torne mais intensa e com que sintamos que temos menor controlo sobre a situação e a própria emoção. 
 
Por outro lado, as estratégias de evitamento estão também associadas a um mal-estar psicológico, sendo que a tentativa persistente de evitar certas emoções negativas ou até mesmo pensamentos negativos provoca maiores níveis de ansiedade e stress a longo prazo.
 
Finalmente, os estudos revelam que há maior sentimento de eficácia, bem-estar e saúde mental quando tentamos focar-nos no problema em si e numa forma de o resolver, como se tivéssemos percebido o problema, arregaçado as mangas e resolvido a situação. Mais facilmente colocamos tudo para trás das costas e damos o assunto por encerrado, coisa que dificilmente podemos encontrar com as estratégias anteriores.  
 
Porém, lembre-se que deve ser flexível e é no adequar da sua estratégia de resolução que está o ganho! Por isso, aproveite esta dica:
 
1.Olhe para o problema de frente. O que pretende resolver?
2. Pense sobre as alternativas, de uma forma consciente. 
3. Precisa da ajuda de alguém? Quem pode ajudar? 
4. Se puder pôr em prática uma solução, faça-o!
5. Se não estiver nas suas mãos resolver esta situação, procure outra estratégia que lhe dê estabilidade.
6. Aceite que muitas vezes não podemos ter controlo sobre os desafios que nos surgem na vida!

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