Ciência

OAL: Estrelas cadentes, asteróides e meteoritos

Ouvimos muitas vezes falar de estrelas cadentes, asteroides ou meteoritos. Será que estas designações são sinónimos, ou referem-se a objetos e fenómenos distintos?
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Ouvimos muitas vezes falar de estrelas cadentes, asteroides ou meteoritos. Nos últimos meses, devido a acontecimentos astronómicos como a passagem do asteroide 2012 DA14 ou o impacto do meteorito na Rússia, estas expressões têm marcado o quotidiano. Será que estas designações são sinónimos, ou referem-se a objetos e fenómenos distintos?
 
por João Retrê (astrónomo)
 
É aceite que os planetas no nosso Sistema Solar foram formados a partir de uma nuvem de gás e poeira que se transformou num disco em torno do Sol. No interior deste disco, pequenas partículas de poeira foram-se agregando, formando assim corpos de maiores dimensões, designados por planetesimais que mais tarde deram origem aos planetas. No entanto, houve material que não tendo contribuído para este processo acabou por ficar à “deriva” no Sistema Solar.
 
Asteroides e Cometas
 
Espalhados um pouco por todo o Sistema Solar existem milhares de pequenos corpos rochosos – despojos da sua formação há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Estes objetos, cujas dimensões variam entre as dezenas de metros e o quilómetro, são designados por asteroides e orbitam o Sol, na sua maioria, numa faixa com o nome de Cintura de Asteroides localizada entre as órbitas de Marte e Júpiter, a uma distância compreendida entre as 2 e 3,5 Unidades Astronómicas (UA é a distância média do Sol à Terra).
 
Pensa-se que neste local, as forças gravitacionais exercidas pelo planeta Júpiter tenham impedido o processo de agregação que levaria à formação de um planeta, não permitindo a formação de corpos com um diâmetro maior do que cerca de 1.000 quilómetros.
 
Um outro exemplo de remanescentes da formação do Sistema Solar, são os cometas. Ao contrário dos asteroides, os cometas são formados nas regiões exteriores do Sistema Solar e constituídos essencialmente por uma mistura de gelo, poeiras e pequenas partículas rochosas. A maioria dos cometas possui órbitas altamente elípticas, fazendo com que, periodicamente, se aproximem/afastem muito do Sol.
 
Meteoroides
 
Na sua órbita em torno do Sol, os asteroides colidem muitas vezes uns com os outros, fragmentando-se e dando origem a corpos de menores dimensões. Por outro lado, à medida que um cometa se aproxima do Sol, os materiais voláteis presentes na sua superfície são sublimados, criando uma atmosfera de gás e poeira que vemos, a partir da Terra, como uma cauda luminosa. 
 
Neste processo, os cometas deixam um rasto de poeira e material rochoso ao longo da sua órbita. O resultado da fragmentação de asteroides e os detritos deixados pelos cometas, dão origem a corpos com dimensões compreendidas entre as micro partículas e objetos com alguns metros de diâmetro. Estes corpos são designados coletivamente por meteoroides.
 
Meteoros e Meteoritos 
 
A colisão de pequenos meteoroides com a Terra ocorre todos os dias, e quase todas as semanas um meteoroide com alguns metros de diâmetro embate no nosso planeta. No entanto, a superfície da Terra está bem protegida destes eventos quotidianos.

Quando um meteoroide do tipo rochoso e dimensão inferior a sensivelmente 40 metros entra na atmosfera, a fricção aerodinâmica com as camadas exteriores da atmosfera terrestre faz com que o corpo aqueça e se desintegre antes de atingir a superfície, deixando um rasto luminoso no céu, a que se dá o nome de meteoro – tradicionalmente conhecido como “estrela cadente”.

Ocasionalmente, um meteoroide sobrevive à entrada na atmosfera terrestre e consegue alcançar o solo parcialmente intacto. Neste caso, o objeto que se encontra na superfície terrestre é designado por meteorito.

 
Chuvas de Meteoros
 
Todos os anos, em datas fixas, é possível observar um fenómeno a que se dá o nome de chuva de meteoros (“chuva de estrelas”). Estes acontecimentos periódicos ocorrem quando a Terra, na sua órbita em torno do Sol, cruza um enxame de meteoroides. Nestas datas é possível, em condições propícias, observar dezenas de meteoros por hora que aparentam ter origem num ponto específico do céu – o radiante. Estas chuvas têm o seu nome associado à constelação onde o radiante se encontra localizado.
 
Quando é possível determinar a posição do radiante aparente dos meteoros e a sua velocidade podem calcular-se os elementos da órbita do enxame, o que tem sido conseguido, nalguns casos, por métodos que utilizam a fotografia ou o radar. Algumas destas órbitas assemelham-se às de cometas conhecidos, enquanto outras, particularmente as de meteoroides isolados, mostram analogias com órbitas de alguns pequenos planetas.
 
No passado dia 06 de Maio, ocorreu a anual “chuva de estrelas” que acontece sempre que a Terra passa na nuvem de detritos (enxame de meteoroides) deixados pelo cometa Halley. Como esta chuva de meteoros aparenta ter origem na constelação de Aquário, atribui-se o nome de Aquáridas a este fenómeno.
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O Observatório Astronómico de Lisboa e o Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa, têm promovido ao longo dos anos atividades ligadas à astronomia e astrofísica como cursos, visitas, palestras e observações astronómicas para o público em geral e formação especializada para a comunidade académica.
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