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O fim das apps

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É contudo essa a minha firme convicção. O instante em que não tive mais dúvidas ocorreu há uns dias quando, numa conversa sobre o maravilhoso mundo digital, um amigo meu me mostrou, com enorme entusiasmo, uma app que descarregou do site de uma cadeia hoteleira, na sequência de ter efetuado uma reserva num hotel. Essa app permitiu-lhe escolher o quarto e passava a ser a chave quando aproximasse o smartphone do dispositivo de fecho instalado na porta. Pensei de imediato que um profissional que viaje diversas vezes por ano teria de ter uma app por cada cadeia de hotéis que utilize. Alargando o conceito, em breve teremos apps para supermercados, restaurantes, estacionamento, transportes, etc, e tudo multiplicado tantas vezes quantas as diferentes entidades/marcas existentes. O óbvio, à semelhança do multibanco, é que também aqui possam surgir agregadores de apps, as super-apps, de aplicação vertical a um determinado setor. No entanto, se juntarmos a este conjunto de apps, as que fazem já parte do nosso quotidiano e que se multiplicam dia após dia, e todas as outras ainda por inventar e que vamos achar imprescindíveis, em breve chegaremos a um ponto em que será praticamente impossível usarmos o nosso smartphone com dezenas de ecrãs cheios de ícones das malfadadas apps.

Não creio que as super-apps sejam a solução, porque também rapidamente se multiplicarão e o problema será o mesmo. O que necessitamos é de um novo interface de utilizador que nos esconda a diversidade das aplicações e que tenha a inteligência para apresentar funções contextualizadas. No fundo, e fazendo um paralelismo (não totalmente correto) com um navegador de internet, se este não existisse, teríamos que procurar a informação que pretendemos em cada momento, site por site, diretamente. Isto é o que se passa hoje com as apps. Ou seja, teríamos um ícone com ligação direta a cada site que tivéssemos interesse em pesquisar e iríamos acrescentando ícones à medida que fossemos descobrindo novos sites com potencial interesse.

É assim previsível que dentro em breve a loucura atual pelas apps, de repente, termine e surja uma camada sobre o sistema operativo do dispositivo móvel que, de uma forma contextualizada e personalizada, nos garanta o acesso às funções de que necessitamos no momento. Será uma espécie de Google das apps, provavelmente uma evolução dos assistentes digitais de hoje, e que facilite a nossa existência no mundo digital.

A Apple e a Google, sem o admitirem, na verdade já terão detetado esta necessidade e as melhorias que têm vindo a introduzir nos respetivos assistentes digitais, Siri e Google Now, constituem os primeiros passos para um interpretador no Sistema Operativo. Servirá de “mordomo pessoal” para compreender e satisfazer as nossas necessidades no mundo digital e fornecer as respostas ou funções que nos fazem falta em cada instante, navegando na via láctea de apps disponíveis, ou do que lhes suceder, e sem que tenhamos de nos preocupar com elas.

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