Ambiente

Nuno Sá: “Segredos do mar são quase uma obsessão”

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Seguir uma paixão. Foi assim que Nuno Sá se tornou um dos melhores fotógrafos do mundo especializado em vida marinha selvagem. Já arrecadou vários prémios internacionais e recentemente foi distinguido nos dois maiores concursos de  fotografia da natureza do mundo. Numa breve entrevista ao Boas Notícias, Nuno Sá, nascido no Canadá em 1977 e atualmente residente nos Açores, explica o que o fez trocar o curso de Direito pelo mar.
 
Como conseguiu as fotos agora distinguidas em Londres e nos Estados Unidos?
Curiosamente ambas as imagens foram obtidas num mesmo mergulho ao largo da Ilha do Faial. O tubarão azul é um predador oceânico que regra geral se encontra em zonas de mar aberto e bastante longe da costa. Neste mergulho encontrávamo-nos no monte submarino Condor situado a 8 milhas da costa da Ilha do Faial e onde o fundo marinho sobe abruptamente dos mais de 1000m de profundidade até aos cerca de 200m. É, de facto, uma experiência incrível estar de rodeado de tubarões, no azul, e sem fundo à vista.
 
O que pensa que as fez distinguir entre as outras fotos que concorreram?
Para mim, pessoalmente, o tubarão azul é a espécie de tubarão mais apelativa que existe nos Oceanos. A sua forma esguia que o torna um dos peixes mais rápidos dos mares, aliados às suas grandes barbatanas peitorais é uma obra-prima da natureza em termos de elegância, velocidade e mobilidade.
 
Qual a importância destas distinções (Wildlife Photographer of the Year e Natures Best Photography)?
O Wildlife Photographer of the Year é sem dúvida “O” prémio por excelência que todos os fotógrafos de natureza do mundo aspiram um dia alcançar. Desde o ano de 2008, quando me tornei o primeiro português a ser premiado neste concurso, já fui nomeado em vários outros importantes concursos internacionais, mas confesso que o meu objetivo máximo sempre foi voltar a ser nomeado no Wildlife Photographer of the Year. O concurso Natures Best Photography – Winland Smith Rice Internacional Awards tem para mim grande importância tanto pelo facto de ter sido o vencedor final da categoria “Oceanos” como pelo facto de esta imagem estar patente num dos maiores museus do mundo – o Smithsonian.
 
É gratificante ter trabalho exposto no London Natural History Museum e no Smithsonian Natural History Museum (EUA)?
É uma coincidência incrível e um feito que muito dificilmente irei suplantar ao longo da minha carreira o facto de ter duas imagens expostas em dois dos maiores Museus de Historia Natural a nível mundial.

Que trabalhos está a desenvolver neste momento?
De momento estou envolvido em vários projetos para a promoção dos Açores como um destino de mergulho e de natureza de excelência. Os Açores são sem dúvida o meu local de trabalho preferido e com um enorme potencial para actividade que exerço.
 
Quais são os desafios que enfrenta na sua carreira de fotógrafo da natureza? 
Sinceramente já tive missões e objetivos muito difíceis de concretizar.
Fotografar as focas monge (lobo marinho) nas ilhas Desertas foi talvez das missões mais difíceis de realizar já que implicou 22 dias nestas Ilhas remotas e muita logística (garrafas de ar comprimido, material de mergulho, material de fotografia, água, alimentos etc…). Mas é claro que quando mais difícil e raro o objetivo a concretizar mais interessantes e estimulantes se tornam as experiencias.
 
O que o fez trocar o curso de Direito pela fotografia da natureza?
O Mar. O meu primeiro contacto com o mundo subaquático deu-se bastante tarde quando tirei o meu 1º curso de mergulho, já como estudante de Direito. Ao longo dos anos fui-me apercebendo que conhecer os segredos do nosso mar ocupava cada vez mais o meu imaginário e os meus sonhos tornando-se quase uma obsessão. Cada vez mais me imaginava nos locais mágicos que via nas revistas e o sonho de me tornar um fotógrafo de natureza nascia… sem nunca ter pegado numa máquina fotográfica. A grande mudança deu-se quando visitei e me apaixonei pelos Açores (e a sua extraordinária vida marinha) onde vivo agora há mais de nove anos.

PM

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