Ciência

“Nova planta” recebe nome de botânico português

O biólogo português César Garcia encontrou uma espécie de planta nunca antes descoberta durante uma expedição científica realizada em São Tomé e Príncipe. A planta 'Dendroceros paivae' foi batizada em homenagem ao cientista e professor Jorge Paiva.
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O biólogo português César Garcia encontrou uma espécie de planta nunca antes descoberta durante uma expedição científica realizada em São Tomé e Príncipe. A planta 'Dendroceros paivae' foi batizada em homenagem ao cientista e professor Jorge Paiva.

Durante a incursão da equipa ao Parque Natural Ôbo, na ilha de São Tomé, César Garcia detetou uma população epífila da nova espécie, ou seja, plantas que cresciam sobre as folhas de outras plantas. Ainda que tenha sido descoberta em 2008, a 'Dendroceros paivae' só teve reconhecimento oficial recentemente.

Em declarações ao Boas Notícias, César Garcia (na foto pequena) diz que se inspirou no nome de Jorge Paiva para baptizar a nova espécie por este ter “desenvolvido um elevado número de estudos naquele arquipélago ao longo dos últimos 35 anos”.
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O investigador do Jardim Botânico do Museu de História Natural e da Ciência sublinha ainda o “excelente” trabalho que Jorge Paiva, investigador aposentado da Universidade de Coimbra, tem feito “junto dos professores e alunos dos diferentes graus de ensino” ao ser “uma voz ativa na defesa do património ambiental em Portugal e no estrangeiro”.

Entre as principais características da 'Dendroceros paivae' encontra-se o facto de esta se desenvolver “sobre as folhas de outras plantas, com umas cápsulas longas onde se localizam os esporos”. 

Em relação às outras plantas do género, esta planta apresenta por exemplo uma forma do talo distinta e diferenças morfológicas dos esporos (unidades de reprodução), explica o cientista português. A 'Dendroceros paivae' possui ainda “colónias de algas” que têm a capacidade de fixar o “azoto atmosférico e o tornarem disponível” – um processo fundamental para a ação química do oxigénio.

A “falta de estudos” e “a raridade das populações” do género Dendroceros em África são as principais razões apontadas por César Garcia para o facto da planta ter permanecido desconhecida durante tanto tempo. O biólogo considera portanto fundamental que sejam incrementados “estudos” e a “cooperação entre investigadores lusófonos”. 

Este género de planta tem “interesse farmacêutico”

De acordo com César Garcia, as características deste tipo de planta têm muitas vezes “interesse farmacêutico”, ainda que algumas das suas importantes propriedades só tenham começado a ser determinadas no século XXI.

A deteção da 'Dendroceros paivae' é apenas uma parte do trabalho concretizado durante duas expedições a São Tomé e Príncipe, que contaram com o apoio do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências de Lisboa, e com o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

César Garcia acrescenta que a investigação tem permitido adicionar vários grupos taxonómicos à “flora do país” e, com o apoio da Universidade de Coimbra, “elaborar uma análise aos espécimes” recolhidos entre o final do séc. XIX e o início do séc. XX. Estão também a ser georreferenciadas “espécies raras” e analisada “a variabilidade de espécies” num gradiente de altitude.

As análises têm permitido perceber, nas palavras do biólogo português, que “São Tomé e Príncipe tem mantido ao longo dos séculos muitas populações estáveis, estando outras ameaçadas pela plantação de palmeiras para óleo” e pelas “novas construções”.

[Notícia sugerida por Patrícia Guedes e Raquel Baêta]

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