Saúde

Música clássica pode atrasar doenças neurodegenerativas

Ouvir música clássica aumenta a atividade de genes envolvidos na aprendizagem e na memória, diminuindo, por outro lado, a resposta de genes associados à degeneração do sistema nervoso, pelo que pode ajudar a atrasar o aparecimento de demências.
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Ouvir música clássica aumenta a atividade de genes envolvidos na aprendizagem e na memória, diminuindo, por outro lado, a resposta de genes associados à degeneração do sistema nervoso. A conclusão é de um novo estudo finlandês, que revela que este tipo de música pode ajudar a atrasar o aparecimento de demências e de doenças neurodegenerativas como o Parkinson.
 
De acordo com a investigação, desenvolvida pela Universidade de Helsínquia, na Finlândia, e publicada na revista científica PeerJ, o hábito de ouvir música clássica incentiva à atividade dos genes responsáveis pela secreção e transporte da dopamina, hormona envolvida no controlo dos movimentos, na aprendizagem, no humor, nas emoções, na cognição, no sono e na memória. 
 
Além disso, este tipo de música contribui, também, para uma melhoria da transmissão de informações entre os neurónios, “travando”, por outro lado, a atividade de genes associados à degradação do funcionamento do cérebro, já que ouvir música é “uma função cognitiva complexa” do cérebro humano e induz várias alterações neuronais e fisiológicas. 
 
Os investigadores finlandeses, coordenados por Irma Jarvela, analisaram a influência da música clássica nos perfis de expressão genética de indivíduos com experiência e sem experiência musical. No âmbito do estudo, todos eles ouviram o concerto para violino n.º 3 em Sol Maior, K.216 de Mozart, com uma duração de 20 minutos.  

Música pode ajudar a proteger o sistema nervoso
 

A equipa concluiu que a música melhorou o funcionamento de determinados genes, em particular de um, o SNCA, que está localizado na região do cérebro com maior ligação à aptidão musical, sendo, também, um gene “de risco” ao nível do desenvolvimento da doença de Parkinson e associado à aprendizagem de “canções” pelos pássaros. 
 
“O aumento da atividade de genes que são responsáveis pela aprendizagem musical dos pássaros sugere que existe um plano de fundo evolucionário partilhado entre os humanos e as aves ao nível da perceção do som”, explica Jarvela, em comunicado. 
 
Por outro lado, realça a investigadora, a música diminuiu a atividade de genes associados à neurodegeneração, o que sugere que tem potencial para proteger a integridade do sistema nervoso. “Este efeito só foi detetado em participantes com experiência musical, o que dá conta da importância da familiaridade e do conhecimento nos benefícios relacionados com a música”, destaca a equipa.
 
Segundo os investigadores, esta descoberta traz novas informações acerca do plano de fundo genético, molecular e evolucionário da perceção da música e poderá ajudar, no futuro, a compreender mais sobre os mecanismos moleculares que estão por detrás das vantagens relacionadas com a terapia musical.

Clique AQUI para aceder ao estudo (em inglês).

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