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Moda ecológica: A reciclagem chegou às roupas

Sustentabilidade é um conceito que se tem vindo a aplicar a várias áreas e a moda não é exceção. Os projetos dedicados a transformar roupa velha em roupa nova têm proliferado. O Boas Notícias foi descobrir como e onde é possível aprender a reinventar
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Sustentabilidade é um conceito que se tem vindo a aplicar a várias áreas e a moda não é exceção. Os projetos dedicados a transformar roupa velha em roupa nova têm proliferado em Portugal. Alguns espaços até ensinam como se pode dar uma segunda oportunidade à camisa ou ao vestido escondido no baú da avó. O Boas Notícias foi descobrir como e onde é possível aprender a reinventar os guarda-roupas.

por KIMI MAGANLAL

Criar um ateliê que integrasse vários projetos de costura, fossem a confeção das peças, pequenos arranjos, reciclagem ou ‘workshops’, foi a premissa que deu origem à oficina Costura Criativa. Num recanto da Freguesia de São José, em Lisboa, uma sala ampla repleta de máquinas de costura, tecidos, linhas e agulhas acolhe a equipa responsável pela iniciativa: a Ana Teresa, a Ana, a Valentina e a Inês.

A oficina Costura Criativa resulta de uma parceria com a Junta de Freguesia: em troca do espaço, as quatro amigas fazem arranjos a baixo custo aos moradores daquela localidade e dedicam-se a ensinar costura aos idosos do centro social próximo do ateliê. No entanto, recebem pessoas vindas de todos os cantos do país.

“Tentamos abordar tudo o que tenha a ver com costura”, salienta Ana. Por isso, o projeto que começou por incluir apenas ‘workshops’ mais generalistas como “Corte e Costura”, tem agora outros dedicados aos mais variados tipos de peças, como malas, mochilas, chapéus e colares e, até mesmo, um curso especial dedicado aos homens. Inês explicou ao Boas Notícias que, apesar de serem sobretudo as mulheres a frequentar os ‘workshops’, “de vez em quando aparecem homens mas pouquinhos”.

E para quem tem dificuldades com horários, a Costura Criativa apresenta a solução perfeita, uma vez que não há dias específicos nem horas específicas para um ou outro ‘workshop’. Não existem turmas nem limite de pessoas por cada curso, não há restrições que façam os interessados dar um passo atrás na altura de pôr mãos à obra. “É tudo o mais informal e prático possível, cada pessoa trabalha ao seu ritmo” e vem quando lhe der jeito, sublinha Ana.

Roupa por medida

Criado há cerca de três anos, este ateliê funciona, também, como as antigas modistas onde ‘roupa por medida’ é a expressão chave. Agora que o ‘vintage’ voltou à ribalta, quem não quer aprender a costurar mas, mesmo assim, quer renovar o roupeiro, recorre a este tipo de serviços. Desde as mais novas às mais velhas, são muitas as mulheres que procuram não só fazer novas peças a partir de tecidos, mas também resgatar vestidos, camisas, t-shirts e calças antigas, na esperança de lhes dar uma nova vida.

O preço dos ‘workshops’ varia consoante o nível de dificuldade, o número de sessões, o tipo de peça a confecionar e as promoções que se encontram. Sempre em busca de mais curiosas e curiosos com vontade de descortinar os segredos desta atividade, a Costura Criativa oferece descontos a quem levar uma amiga ou a quem adquirir dois ‘packs.

   

Em termos gerais, os ‘workshops’ variam entre os 20 e os 90 euros, mas o de Iniciação à Costura custa apenas 15 euros. Este último revela-se uma boa oportunidade para quem quer aprender o básico da costura, visto que o ateliê cede os materiais para a elaboração de um pequeno estojo, pedindo em troca apenas motivação e vontade de aprender da parte dos alunos.

Sacos exclusivos,  reciclados e solidários

Moda, ecologia e solidariedade são três conceitos que dividem, irmãmente, o protagonismo no projeto Saco Solidário, integrado na Associação Auxílio e Amizade, em Lisboa. Sara Barros é quem conduz a iniciativa desde a sua criação, há três anos, adaptando a Política dos 3 R’s – Reduzir, Reutilizar e Reciclar – ao vestuário e aos sacos.

A grande alavanca desta ação foi a necessidade urgente de reduzir a quantidade de sacos de plástico utilizados para fazer a distribuição dos alimentos pelos mais necessitados. Foi então que Sara, ao aperceber-se da quantidade de roupa doada, grande parte já inutilizável, teve a ideia de confecionar sacos de pano a partir daqueles tecidos.

A pequena iniciativa evoluiu para um projeto sólido que emprega uma costureira e acolhe outras duas voluntárias, uma delas a colaborar em regime de terapia ocupacional. Sara é quem dá início às etapas de reciclagem, ao pegar no tecido a utilizar, montando-o em cima da base desenhada. O protótipo segue, depois, para a costureira e para as outras voluntárias, responsáveis por terminar a peça à mão ou à máquina.

Os sacos começaram por ser bastante simples, apenas com o intuito de serem reutilizados, ajudando, assim, o ambiente. Contudo, o ‘design’ foi evoluindo e, neste momento, a filosofia do Saco Solidário passa, também, por conceber peças únicas e exclusivas, impossíveis de encontrar em qualquer outro local.

Os preços dos sacos variam entre os 10 euros (os mais antigos) e os 70 euros (os mais recentes). Qualquer pessoa pode doar a roupa que dá origem às peças que estão à venda no ateliê que funciona na associação e no Facebook do projeto. Não se fica apenas com um saco inédito; dá-se, também, uma pequena ajuda a quem mais precisa, uma vez que o lucro das vendas reverte, na íntegra, a favor da Associação Auxílio e Amizade.

Coisas Assim em Matosinhos

Valorização dos tempos livres através de uma ocupação criativa. Aumento da autoestima e do enriquecimento pessoal. Complemento de formação para os criativos. Esta foi a tríade que alimentou a criação do Coisas Assim, um projeto sediado em Matosinhos cuja ambição passa por estimular a criatividade das pessoas através dos mais variados ‘workshops’ desde pintura a horticultura, passando pelo Fashion Re-Made, dedicado à reciclagem de vestuário.

Maria José Reduto, uma das responsáveis pela iniciativa, contou ao Boas Notícias que o Fashion Re-Made “alia a vertente económica e sustentável à exclusividade das peças lá confecionadas”. Fugindo da produção massificada, cada autor tem a possibilidade de mudar as suas roupas, seja a partir da aplicação de adereços como bordados, botões ou rendas, seja através da transformação de uma camisa num vestido, de uma gravata nas costas de um blazer ou de roupa de adulto em roupa de criança.

“Menos dispendioso, mais ecológico e personalizado” são os argumentos que levam mulheres dos 18 aos 60 anos a frequentarem o curso na esperança de renovarem o guarda-roupa sem terem de recorrer às lojas. “A procura do workshop tem sido exclusivamente feminina e a adesão tem sido muito grande”, explicou Maria José.

Pelo preço de 80 euros, os participantes podem, em quatro sessões de duas horas, abordar aspetos criativos do ‘redesign’ com exercícios de idealização, exploração de materiais e fabricação orientada do produto. As atividades são organizadas em grupos pequenos, com um limite de 14 pessoas, de modo a possibilitar uma atenção individualizada e a troca de experiências. Quanto às peças a criar, ficam a cargo das ideias inovadoras dos autores. 

Numa altura em que as dificuldades económicas têm batido a quase todas as portas, nascem projetos dispostos a levar beleza e originalidade aos guarda-roupas sem gastos exorbitantes. Ana Teresa, da Costura Criativa, sublinha que “há um sem número de coisas concretizáveis a nível de reciclagem que muita gente não tem noção”. Transportar as pessoas para este novo mundo de possibilidades é a missão destes projetos criativos que têm surgido um pouco por todo o país.

Clique AQUI para visitar o site do projeto Costura Criativa, AQUI para visitar o Facebook do projeto Saco Solidário e AQUI para visitar o site do projeto Coisas Assim.

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