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Mini documentário explica manifestações do Brasil

"Vem Pra Rua" é o nome do breve documentário que, em 09 minutos, tenta expor as motivações das milhares de pessoas que, nas últimas semanas, invadiram as ruas do Brasil, exigindo um país mais justo.
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“Vem Pra Rua” é o nome do breve documentário que, em 09 minutos, tenta expor as motivações dos milhares de brasileiros que, nas últimas semanas, invadiram as ruas do país, exigindo um Brasil mais justo.

Os protestos no Brasil surpreenderam o mundo. Num país que registou, nos últimos 10 anos, alguns dos maiores progressos sociais e económicos a nível internacional, ninguém esperava que as pessoas saíssem à rua em protesto.

O último relatório da Organização Internacional de Trabalho, por exemplo, diz que, nos últimos anos, o Brasil “implementou ambiciosas políticas de trabalho e social, como o aumento do salário mínimo, extensão da proteção social (como o Bolsa Família) e ampliou os investimentos em saúde, educação e infraestrutura”.

O relatório sublinha ainda que o crescimento da classe média foi particularmente alto no Brasil, sobretudo comparando com outros países da amareican latina: entre 1999 e 2010 a classe média brasileira cresceu 16 pontos percentuais.

Mas, se a situação social e económica melhorou, o que levou milhares de brasileiros à rua, nos últimos dias? Um mini-documentário realizado pelo projeto “Imagina na Copa” (que até ao Mundial de Futebol pretende lançar um vídeo por dia com ideias para tornar o Brasil um pais melhor) explica as razões dos protestos.

Uma nova ordem social?

O vídeo inclui breves entrevistas a dezenas de manifestantes que reivindicam uma nova ordem, uma nova forma de governação, melhores condições de vida, melhores serviços de saúde e de transportes e, também, um combate real e eficaz à corrupção. Porque na verdade, apesar do crescimento económico, o Brasil continua a ocupar o 85º lugar do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

Sobre as motivações dos manifestantes, Denis Russo Burgierman, diretor de redação das revistas Superinteressante e Vida Simples, que é entrevistado no documentário, diz que o Brasil está “a assistir ao colapso das regras que regem a sociedade” muito devido à força das redes sociais e das novas tecnologias.

“Era uma coisa que não parecia possível, parecia que o brasileiro estava satisfeito. Mas a partir do momento em que as pessoas veem a possibilidade, a mudança é muito rápida”, explica o jornalista, no documentário.

Dilma quer ouvir manifestantes

Depois de uma forte repressão das autoridades face aos primeiros protestos, que surgiram para contestar um anunciado aumento de 20 centavos nos autocarros públicos, a postura das entidades oficiais e do governo mudou. Poucos dias após as primeiras manifestações, foi anunciado o recuo no aumento do valor das tarifas.

Mas os protestos continuaram. Perante o descontentamento, na sexta feira-passada, a presidente Dilma Rousseff manifestou compreensão e anunciou que vai propor ao congresso um pacto entre o Governo Federal e os governos municipais para melhorar os serviços públicos.

Para a educação, Dilma quer transferir 100 por cento das receitas do petróleo. Na saúde vai propor a contratação de centenas de médicos, do estrangeiro, para os serviços públicos. E promete também o melhoramente dos transportes públicos. 

Além destas propostas, a presidente inicia, esta segunda-feira, uma ronda de reuniões com representantes dos manifestantes (através do Movimento Passe Livre), além de governadores e prefeitos de capitais.

Será uma “mudança de época” e de futuro para o Brasil? O politólogo António Roberto Espinosa, que militou ao lado da presidente brasileira Dilma Rousseff contra a ditadura militar do país, disse, este domingo, que sim, afirmando que “as manifestações representam a necessidade de um novo pacto social” no país.

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