Inovação e Tecnologia

Minas: Robô português pode salvar milhares de vidas

Uma equipa de investigadores portugueses está a desenvolver um conjunto de tecnologias para a deteção de minas e outros engenhos explosivos com potencial para "salvar a vida de milhares de pessoas".
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Uma equipa de investigadores portugueses do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um conjunto de tecnologias para a deteção de minas e outros engenhos explosivos com potencial para “salvar a vida de milhares de pessoas”.
 
O trabalho está a ser desenvolvido com o objetivo de ajudar a enfrentar o grande problema mundial da desminagem no âmbito do projeto europeu “TIRAMISU” (Toolbox Implementation for Removal of Anti-personnel Mines, Submunitions and Uxo”, financiado em cerca de 15 milhões de euros pela União Europeia.
 
Em comunicado enviado ao Boas Notícias, a UC explica que a equipa portuguesa já tem em fase de testes um “robô de desminagem” móvel, cuja base foi oferecida por uma empresa do Canadá, a Clearpath Robotics, depois da vitória da universidade num concurso internacional de ideias para projetos.
 
A base foi personalizada pelos investigadores da UC, que lhe acrescentaram “um braço robótico de forma a permitir o varrimento do terreno com sensores de deteção de minas, detetores de metais e radares de penetração no solo”, conta Lino Marques, cientista que está a coordenar a equipa portuguesa.
 
Segundo o responsável, “para tornar a plataforma mais autónoma, foi-lhe ainda acrescentado um conjunto de diversos sensores como câmaras de visão artificial, sensores 'laser' para medição de distância e GPS que lhe permitem saber onde está e como é o terreno à sua volta”.
 
Além disso, o robô dispõe também de um “software de inteligência artificial que lhe possibilita compreender os dados desses sensores e tomar decisões relativamente à tarefa de desminagem sem necessitar da intervenção humana”. 

Robô poderá substituir os humanos na desminagem

 
Atualmente, a equipa portuguesa está a trabalhar na melhoria destas capacidades para que o aparelho seja capaz de planear as suas tarefas de forma mais eficiente e de lidar com terrenos difíceis de modo mais eficaz.
 
Assim, o robô poderá “substituir os humanos no trabalho extremamente perigoso e manual de desminagem humanitária e contribuir para salvar, sem dúvida, a vida de milhares de pessoas”, conclui o investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. 
 
O projeto TIRAMISU é coordenado pela Academia Militar da Bélgica e está a ser levado a cabo por um total de 26 parceiros provenientes de diferentes universidades e centros de investigação da Europa e um do Japão, contando ainda com a participação de empresas e Organizações Não-Governamentais (ONG’S). 
 
O objetivo do projeto, iniciado em 2012, é fornecer um conjunto de “ferramentas” que transforme a desminagem humanitária num processo mais simples e seguro, promovendo assim a paz e a reabilitação social e económica das zonas afetadas pela guerra. 
 
As minas antipessoais – desenhadas com o propósito de matar ou ferir quem estiver nas imediações após a explosão – são um grave problema a nível mundial. Segundo os dados disponíveis, existem mais de 110 milhões de minas espalhadas por mais de 70 países (ou seja, cerca de uma mina por cada 50 habitantes do planeta). 

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