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Menino cego vê pela primeira vez após cirurgia

Até há pouco tempo, Criscent Bwambale fazia parte das 18 milhões de pessoas de países em desenvolvimento com cegueira curável. A cegueira comprometia o futuro do menino mas uma simples cirurgia mudou a sua vida.
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Criscent Bwambale, do Uganda, tem apenas seis anos e até há pouco tempo fazia parte das 18 milhões de pessoas de países em desenvolvimento com cegueira curável. As cataratas comprometiam o futuro do menino mas uma simples cirurgia mudou a sua vida. 
 

Criscent Bwambale vive com sua avó numa casa de barro no Uganda. Em janeiro, a família respondeu ao anúncio de uma equipa médica, apoiada por uma ONG, que convidou as crianças da comunidade a fazerem exame à vista. 

A equipa médica e a ciurgia foram organizadas pela ONG Sightsavers, uma organização que tem como prioridade combater o flagelo da cegueira evitável em todo o mundo. No seu site, a ONG divulgou a comovente "viagem" de Criscent
 



Criscent nasceu com cataratas nos dois olhos e só conseguia distinguir vagas zonas de luz e escuridão. Através da Sightsavers, o menino foi submetido, com sucesso, a uma cirurgia em ambos os olhos num hospital de Mbarara, no oeste do país.

Dois meses depois da operação, um médico examina os progressos de Criscent

A cirurgia de Criscent aconteceu mais tarde do que os médicos gostariam. A visão humana deixa de se desenvolver aos 7 anos de idade, por isso as intervenções médicas devem ser prestadas antes desta idade crítica.

Mesmo assim, graças a um acompanhamento médico regular e a um bom par de óculos, Criscent já conseguiu recuperar cerca de 50 por cento da sua visão. 

 
 
Criscent joga com outras crianças no jardim do hospital. "Nunca tinha brincado assim antes", diz o menino.
 
Entrada do Hospital Oftalmológico Ruharo, um dos poucos espaços que oferece serviços especializados para os 368 mil Ugandenses com problemas de visão
 
“Antes da cirurgia, Criscent dependia da avó ou de outro parente para fazer tudo. Agora é uma criança independente e segura", diz Joseph Magyezi, funcionário do hospital. 
 
 
A família de Criscent tem agora a tarefa de ensinar-lhe o que são os objetos do dia-a-dia. "Os seus irmãos estão todos felizes e emocionados. Todos estão felizes por ele poder ver agora", conta a sua avó.
 
 
É o primeiro dia de aula de Criscent. Nunca havia visto as letras e precisa aprender o alfabeto do zero. "Criscent perdeu muitos anos de aprendizagem e seu cérebro agora precisa colocar-se em dia com o que vê", disse Magyezi, médico do Hospital Ruharo. 
 

A avó de Criscent espera pelo neto fora da sala de aulas, observando-o com um sorriso de felicidade e orgulho. Nunca esperou que este dia viesse.

“Sempre rezei e tive esperança, mas nunca consegui arranjar a ajuda que ele necessitava porque somos demasiado pobres. Com o tempo acabei por aceitar que a sua vida seria marcada pela cegueira.”


 

"Adquirir visão é um processo", disse o médico Magyezi. "Com os óculos, Criscent vai aprender a usar os olhos e o que vê com eles. Assim poderá interpretar o mundo". 

A Sightsavers é uma organização internacional que trabalha em mais 30 país, sobretudo no continente africano, para curar ou prevenir casos de cegueira.

Apesar de 80% dos casos de cegueira poderem ser evitados, graças à medicina atual, nos países em vias de desenvolvimento, sobretudo na África Subsariana, mais de 50% dos pacientes não recebem tratamento acabando por perder a visão, alerta a Organização Mundial de Saúde.

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