Ambiente

Lince ibérico percorreu 500 km para voltar a Portugal

Um lince ibérico libertado, no final do ano passado, na província de Toledo, em Espanha, percorreu cerca de 500 quilómetros para voltar a Portugal, país onde nasceu.
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Um  lince ibérico libertado, no final do ano passado, na província de Toledo, em Espanha, percorreu cerca de 500 quilómetros para voltar a Portugal, país onde nasceu. Kahn, devolvido à Natureza ao mesmo tempo que o irmão, Kentaro, atravessou até, a nado, o rio Guadiana e está, agora, na região do Alqueva.
 
A notícia é avançada pelo projecto LIFE+Iberlince na sua página oficial, onde pode ler-se que, “desde o primeiro dia da sua libertação”, Kahn começou “a dispersar-se para oeste, utilizando as zonas altas de serra, o que o levou a atravessar o Parque Nacional de Cabañeros para chegar à comarca de La Jara”.
 
“Posteriormente, seguiu a sua dispersão até ao rio Tejo e, embora não tenha cruzá-lo totalmente, permaneceu por ali, numa ilha, durante vários dias”, adianta o site, indicando que o felino continuou, nas semanas seguintes, “o seu caminho em direção ao sul da província de Toledo e chegou, em meados de Fevereiro, à província de Cáceres”.
 
Foi nesse momento que os responsáveis do projeto LIFE+Iberlince da Estremadura começaram a monitorizar o animal, sabendo-se que o macho cruzou a nado o rio Guadiana e acabou por chegar a Portugal no final do mês de Maio, tendo passado, recentemente, pela barragem do Alqueva.
 
Kentaro, irmão de Kahn libertado na mesma ocasião, seguiu um caminho diferente: nas primeiras semanas, o felino permaneceu junto à zona em que foi solto, em Toledo, e, depois de passagens por Madrid, Cuenca, Guadalajara, Soria e Saragoça, também em Espanha, chegou, no início do mês passado, à comunidade autónoma de La Rioja, onde aindapermanece.
 
Em comunicado, o projeto LIFE+Iberlince explica que estas informações foram recolhidas através das coleiras dos animais, equipadas com sistema GPS, solução que tem permitido obter “uma enorme quantidade de dados” relativos ao comportamento de cada felino, à sua utilização do território e a outras caraterísticas biológicas “essenciais para a conservação da espécie”. 


Mapa partilhado no site do projeto de conservação mostra a viagem dos dois animais pela Península Ibérica (Kahn a azul e Kentaro a vermelho) © LIFE+Iberlince
 

“Kahn e Kentaro, reintroduzidos na província de Toledo, percorreram as maiores distâncias registadas, até à data, nesta espécie, superando, ambos, largamente, os 1.000 quilómetros nas suas dispersões”, frisam os responsáveis, acrescentando que “os dados obtidos evidenciam que alguns exemplares de lince-ibérico conseguem percorrer distâncias superiores a 25 quilómetros em cada jornada”.
 
O projeto LIFE+Iberlince destaca, também, “a capacidade de sobrevivência assinalável que estes dois animais revelaram”, uma vez que ambos passaram por regiões com populações reduzidas de coelho-bravo (o seu principal alimento) e conseguiram substituí-lo por outras presas, desde roedores a veados.
 
“Num momento em que está prestes a cumprir-se o primeiro aniversário da libertação dos primeiros linces ibéricos em Castilla-La Mancha, o projeto LIFE+Iberlince avalia positivamente a adaptação destes exemplares nas suas áreas de reintrodução, onde se conseguiram avanços muito significativos com vista à recuperação da espécie, embora ainda haja muito trabalho por fazer”, finalizam os responsáveis.

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