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Jorge Pelicano: ‘Este é um filme interventivo’

"Pare, Escute, Olhe" é o segundo documentário dirigido por Jorge Pelicano, que estreou recentemente nas salas de cinema das regiões de Lisboa e Porto. Em entrevista concedida por email ao Boas Notícias, o realizador de 33 anos - e também re
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“Pare, Escute, Olhe” é o segundo documentário dirigido por Jorge Pelicano, que estreou recentemente nas salas de cinema das regiões de Lisboa e Porto. Em entrevista ao Boas Notícias, o realizador de 33 anos – e também repórter do canal televisivo SIC Notícias – fala mais um pouco sobre o filme que foi considerado o melhor documentário português no DocLisboa’09.

Por que motivos se deve “parar, escutar e olhar” para este documentário sobre o encerramento da centenária linha ferroviária do Tua?

A linha é apenas uma metáfora. Na situação em que o país se encontra – aumento do desemprego, crise económica – é necessário parar, escutar e olhar. Reflexão. O que somos e para onde vamos? Que caminhos devemos trilhar para as novas gerações? Onde está a sociedade civil, onde está a intervenção? “Pare, escute, olhe” galga as montanhas transmontanas e retrata um Portugal falhado e sem estratégia para o futuro. A linha do Tua é apenas um exemplo do esquecimento politico para com Trás-os-Montes. Sem emprego, as pessoas partem tal como o comboio. A região ficou mais despovoada e abandonada. Parece irreversível, mas só o é, porque não existe uma estratégia concertada para olhar a região no seu todo. Os politicos, inclusive os locais, não têm o conhecimento real da região que representam. 

Este filme retrata o esquecimento e o abandono. São estas características típicas do povo português?

São as características típicas de alguns politicos, não do povo. 

Tendo em conta o tema deste documentário e do anterior (“Ainda Há Pastores?”), pode dizer-se que o resgate do passado cultural e histórico nacional é o fio condutor dos seus trabalhos?

Não digo que seja o fio condutor mas sim o “background” destes meus dois filmes. O passado cultural e histórico nacional, é algo que se vai distanciando da nossa sociedade cada vez mais imediatada e egoísta. Esse distaciamento fascina-me e por isso vou ao encontro desse passado e confronto-o com o presente. 

Como é que a banda sonora original composta e interpretada por Manuel Faria e Frankie Chavez valoriza o documentário?

A Banda Sonora Original, em minha opinião dá uma universalidade ao filme. O tema que trata, não é, infelizmente, único no país, acontece em muitos outros. Preocupei-me que a Banda Sonora transmitisse a verdadeira grandiosidade não só da linha ferroviária, mas também do vale do Tua. Foi um desafio que propus a ambos e que foi totalmente conseguido. Na edição em DVD espero editar conjuntamente com o filme. 

O seu filme de estreia, “Ainda há pastores”, valeu-lhe 14 prémios nacionais e internacionais e este último trabalho foi distinguido como Melhor Documentário Português no DocLisboa’09. Sente que evoluiu como realizador?

Só pelo facto de não cometer erros do trabalho anterior, já existe uma evolução. Acima de tudo, propus-me fazer uma abordagem totalmente diferente, assente numa narrativa sem “voz off” e sem entrevistas mas de igual modo intimista. Por outro lado, este é um filme interventivo que incute ao espectador uma reflexão e uma acção racional sobre a causa do vale e da linha do Tua. 

“Páre, Escute, Olhe” associa-se à causa “Save Tua”. Que acções é que esta iniciativa promove e como é pode o público contribuir?

“Save Tua” foi uma proposta que apresentei à sociedade civil de modo a promover iniciativas em prol da causa do Tua. Se “Pare, Escute, Olhe” é o lado emocional da questão, “Save Tua” é o lado racional. Neste blog vamos inserir informações sobre o modo como o público pode intervir – cartas, manisfesto – para além de postar as suas opiniões e caminhos a seguir.

Débora Cambé

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