Gastronomia

Já há queijo, enchidos, cerveja e chocolate de urtiga

Já há chocolate, queijo, queijadas, enchidos, cerveja e até roupa feita de urtigas! A Confraria da Urtiga, com sede em Fornos de Algodres, quer impulsionar uma nova indústria local centrada nesta planta 'daninha' rica em vitaminas, minerais.
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Já há bombons, queijo, queijadas, enchidos, cerveja e até roupa feita de urtigas! A Confraria da Urtiga, com sede em Fornos de Algodres, quer impulsionar uma nova indústria local centrada nesta planta 'daninha' rica em vitaminas, minerais (possui duas vezes mais ferro que os espinafres), oligo-elementos, aminoácidos, proteínas e sais. 

por Patrícia Maia

No próximo dia 14 de agosto, quem visitar Fornos de Algodres, mais concretamente a Vila Soeiro do Chão, terá oportunidade de participar no Festival da Cerveja Artesanal de Urtiga e experimentar, na primeira pessoa, o sabor de uma cerveja com sabor a “ervas daninhas”. 
 

Esta cerveja, produzida pela cervejeira Post Scriptum, é apenas um dos produtos que a Confraria da Urtiga tem vindo a desenvolver, através de várias parcerias. Alheira, urtigueira (uma mistura entre a farinheira e a alheira), queijada e queijo, tecido e até papel são outros dos produtos que a confraria ajudou a lançar no mercado.
 
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O grão-mestre Manuel Paraíso explica ao Boas Notícias que muitos dos produtos alimentares já são marca registada. Embora ainda só se encontrem à venda em lojas locais é possível adquirir qualquer um destes artigos, por encomenda, através do email da confraria (confrariadaurtiga@gmail.com).

A médio-longo prazo, o objetivo é criar uma nova “indústria local”, garante Manuel Paraíso. “Queremos mesmo criar uma unidade de produção e de plantação porque a urtiga espontânea já não é suficiente para alimentar esta indústria, até porque há cada vez mais pessoas, durante o inverno, que se dedicam a apanha da urtiga”, explica.
 

O projeto mais inovador do momento, que consiste na criação de um tecido de urtiga, está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade da Beira Interior. Mas há outras parcerias, por exemplo com a Universidade de Aveiro, para estudar melhor as propriedades nutritivas desta planta a fim de criar novos produtos alimentares. 

Cuidados na apanha
 
Queijo ou enchidos de urtiga são produtos que exigem alguma perícia, mas qualquer um poderá, por exemplo, cozinhar em casa a sopa de urtiga – uma receita simples, idêntica à de qualquer sopa de legumes.

Manuel Paraíso avisa que para “apanhar esta planta convém reconhecer bem a folha e as suas variedades”. É também obrigatória “a utilização de luvas por causa das ampolas de Sílica que irritam a pele, sendo que assim que entra na água quente a folha da urtiga deixa de picar porque as ampolas rebentam”.
 

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A confraria nasceu em 2009 na sequência das Jornadas Etnobotânicas que a autarquia de Fornos de Algodres organiza há 11 anos. “Uma dessas jornadas foi dedicada a plantas que já foram usadas como alimento mas que deixaram de ser consumidas”, explica o grão-mestre Manuel Paraíso, apontando o exemplo dos saramagos e das beldroegas, além da urtiga. 
 


Devido à presença intensa da urtiga na Serra da Estrela, o grupo concentrou-se na promoção desta erva daninha, altamente nutritiva. Entretanto, a confraria estabeleceu contactos com outras entidades congéneres, sobretudo em França e na Bélgica, participando em encontros internacionais que inspiraram a criação destes novos produtos que, quem sabe, poderão chegar, em breve, às prateleiras do supermercado. 
 

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