Inovação e Tecnologia

Hole In The Wall: O Conhecimento na mão das crianças

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Se, numa aldeia remota de um país em desenvolvimento, surgisse de repente um computador ligado à internet, qual seria a reação das crianças locais? Seriam capazes de aprender, sozinhas, a lidar com as novas tecnologias? A resposta é afirmativa. E prova disso é o projeto Hole In The Wall, criado há 10 anos pelo indiano Sugata Mitra, especialista em Educação, que desde essa data já instalou mais de 500 computadores em bairros e aldeias pobres da Índia e de mais 11 países.
 
Quando instalou o primeiro computador de alta velocidade no muro de um bairro de lata de Nova Deli, Sugata Mitra descobriu que, em poucas horas, crianças e jovens – infoexcluídas e que nunca tinham tido acesso a computadores – aprenderam a surfar a internet, a fazer downloads e a jogar jogos. Passado poucos dias, as crianças aprenderam mesmo a gravar as suas próprias músicas e a tocá-las para os outros.
 
“O nosso objetivo era descobrir o que acontecia se as crianças tivessem que lidar com um computador sem ter qualquer experiência nem instruções. Não tínhamos criado expectativas mas também não esperávamos este tipo de resultados”, explicou ao Boas Notícias Himanshu Tayal, um dos membros da equipa HiWEL (Hole-in-the-Wall Education Limited).
 
Entusiasmado com os progressos das crianças, Sugata Mitra decidiu ampliar a experiência e foi espalhando mais computadores noutras zonas carenciadas da Índia, desde bairros de lata a aldeias isoladas. O resultado foi sempre o mesmo: “Em poucas horas e sem instruções as crianças começavam a navegar na internet”, diz Himanshu Tayal.
 
Os computadores das HiWEL são protegidos com caixa de metal e uma cobertura de plástico resistente, já que nos primeiros tempos alguns computadores sofreram danos, sobretudo devido ao excesso de uso. Estas estações estão ligadas oito horas por dia – sempre que possível já que em alguns locais a eletricidade não é constante – e são monotorizadas remotamente para garantir que estão a funcionar.
 
Melhor desempenho escolar

Analisando os resultados destes 10 anos de HiWEL, a equipa concluiu ainda que, além de adquirirem conhecimentos informáticos, as crianças que têm acesso ao HiWEL “melhoram os seus resultados escolares, aumentam a capacidade de interação e partilha entre elas e aumentam a sua autoestima, sobretudo em termos de participação na sala de aula”.
 
As estações do HiWEL são sempre instaladas num espaço exterior e de fácil acesso, sendo a sua utilização gratuita. Os computadores têm ligação à internet mas também possuem vários programas e conteúdos educativos que as crianças aprendem a explorar sozinhas. Só muito periodicamente, “a HiWEL desloca aos locais um formador para acelerar o processo de aprendizagem”.
 
Neste momento, o HiWEL está a terminar a instalação de 50 estações no Butão sendo que, nos próximos anos, este reino terá um total de 131 estações HiWEL. A equipa está também a instalar computadores na República Centro-Africana e a explorar outras oportunidades em África, na Ásia e na América.
 
No futuro, além de ampliar a rede de estações, o HiWEL pretende aumentar o píblico alvo do projeto. Neste momento, os computadores estão desenhados para crianças e jovens dos 6 aos 14 anos, mas o objetivo, a médio prazo, é abranger crianças com menos de seis anos de idade e adolescentes a partir dos 14. Um novo desafio que será, provavelmente, abraçado sem dificuldade pelos mais jovens.
 
Veja, clicando no vídeo acima, uma intervenção de Sugata Mitra sobre o HiWEL numa conferência da TED Talks realizada em julho de 2010.

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