Ciência

Guerra de “bolas de neve” observada em Saturno

A sonda espacial Cassini detetou o movimento de "pequenos" aglomerados de gelo através de um dos principais anéis de Saturno, conhecido como anel F. Os corpos, conhecidos na gíria espacial por "bolas de neve", podem atingir até cerca de um quilómetro
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A sonda espacial Cassini detetou o movimento de “pequenos” aglomerados de gelo através de um dos principais anéis de Saturno, conhecido como anel F. Os corpos, conhecidos na gíria espacial por “bolas de neve”, podem atingir até cerca de um quilómetro.
 
O anel onde a atividade foi registada é o mais extremo do planeta Saturno, com um perímetro de aproximadamente 900 mil quilómetros.
 
A pesquisa foi apresentada na reunião da União Europeia de Geociências (EGU), em Viena, na Áustria, por Carl Murray, um dos membros da equipa de imagens da sonda Cassini. Os cientistas observaram que, à medida que os aglomerados de gelo se deslocavam, deixavam rastros brilhantes em forma de jatos de partículas.
 
Enquanto os cientistas analisavam imagens da Prometeu, repararam numa espécie de jato no anel, nunca antes visto, e que não poderia ter sido formado pela lua ou por um outro corpo celeste, chamado S6, que também tem uma órbita próxima do anel.
 
A equipa examinou então as 20 mil imagens do período de sete anos em que Cassini tem estado em Saturno e encontraram 500 exemplos semelhantes a este caso.
 
Aglomerados podem formar pequenos corpos celestes
 
O fenómeno está relacionado com o movimento da lua Prometeu, de 40 quilómetros de diâmetro, em volta do planeta do Sistema Solar. A perturbação gravitacional gerada pela lua no anel provoca a movimentação das partículas de gelo presentes no anel de Saturno, que se podem unir, formando aglomerados.
 
No entanto, as imagens observadas pelos astrónomos são inéditas, até porque se acreditava que as colisões na órbita do corpo celeste desfaziam os aglomerados formados.
 
“Sabemos que Prometeu, além de produzir padrões regulares, é capaz de produzir concentrações de materiais no anel”, explicou Carl Murray à BBC.
 
“Chamamos-lhes grandes bolas de neve, e se estas coisas conseguirem sobreviver – porque Prometeu vai voltar ao mesmo lugar no anel F e interagir com elas novamente – elas podem crescer, e talvez sejam elas a formar os pequenos corpos celestes que colidem com o centro do anel F”, acrescentou.
 
Alguns dos comportamentos observáveis nos anéis de Saturno são provavelmente semelhantes aos que ocorreram no disco de materiais em volta do Sol há mais de 4,5 bilhões de anos e que deram origem aos planetas, entre eles Saturno.

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