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FMI admite que a Islândia é “impressionante”

Depois de uma morte anunciada em 2008, a Islândia ressuscitou e parece estar bem de saúde. Sem abrir mão dos apoios sociais, a Islândia reduziu a taxa de desemprego para menos de 5% e, para 2012, está previsto um crescimento económico de 2,4%.
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Depois de uma morte anunciada em 2008, a Islândia ressuscitou e parece estar bem de saúde. Sem abrir mão dos apoios sociais, a Islândia reduziu a taxa de desemprego para menos de 5 por cento e, para 2012, está previsto um crescimento económico na ordem dos 2,4 por cento. Um caso único elogiado, esta semana, pelo Fundo Monetário Internacional.
 
“A Islândia alcançou importantes conquistas desde a crise”, disse esta semana Daria V. Zakharova, chefe da missão do FMI na Islândia, numa entrevista à Bloomberg. “Temos uma visão muito positiva do crescimento [do país], sobretudo para este ano e para o próximo, porque nos parece que é um crescimento sustentável”.

“Considerando a profundidade da crise no final de 2008, a recuperação do país é impressionante”, admite a responsável do FMI. “O facto da Islândia ter preservado o sistema social”, apesar dos desafios económicos, é apontado por Zakharova como “a maior conquista” do governo do país.  
 
Depois de declarada a bancarrota em 2008, na sequência da falência dos três principais bancos do país, a Islândia recusou proteger os credores dos bancos cujas dívidas eram 10 vezes superiores a economia islandesa. O povo saiu à rua [na foto] em diversas manifestações recusando assumir a dívida dos bancos.

A questão acabou por ir a referendo, em 2010, e mais uma vez a população assumiu um não redondo com mais de 90 por cento dos votos. A votação causou o pânico das instituições internacionais que reagiram com ameaças, mas o governo acatou a opinião popular.
 
Entretanto, os responsáveis pelo colapso financeiro dos bancos estão a ser investigados. Sigurdur Einarsson, o ex-presidente do Kaupthing, um dos três grandes bancos que detonaram a crise, tem mesmo um mandato de captura em seu nome, emitido pela Interpol, por suspeitas de fraude e falsificação.

A 'maneira islandesa' vs outros países europeus

Embora tenha recusado a dívida dos bancos, o governo islandês teve que tomar medidas pragmáticas para travar a “hemorragia” da economia. Além de aceitar a ajuda do FMI, a Islândia impôs no país o controlo de capitais, que proíbe as empresas islandesas de investirem no exterior, ao mesmo tempo que impede os estrangeiros de retirarem o seu dinheiro do país.

Isso permitiu que o governo protegesse as famílias e as pequenas empresas. Foi uma solução de emergência crucial mas os analistas admitem que o maior desafio, nos próximos tempos, será pôr fim a este controlo de capitais sem prejudicar a economia.
 
Mas por enquanto, a 'maneira islandesa' de lidar com a crise parece resultar. Quatro anos depois da bancarrota, a previsão do FMI para o crescimento da economia, em 2012, é de 2,4 por cento, quando a Zona Euro prevê uma quebra de 0,3%. Por outro lado, a taxa de desemprego desceu para 4,8% (há dois anos era de 9,3%). Outra prova de recuperação surgiu em Março deste ano, altura em que o país pagou, antecipadamente, um parte do empréstimo do FMI que só deveria ser saldada em 2013.
 
Muitos analistas reagem a esta recuperação com pessimismo, defendendo que a surpreendente reviravolta do país não pode ser apontada como exemplo, uma vez que as lições da recuperação islandesa – com menos de 350 mil habitantes – não são aplicáveis a economias mais complexas.
 
No entanto, o caminho seguido por outros países europeus como Portugal, a Grécia e Espanha, que têm apostado em duras medidas de austeridade – aumento de impostos, cortes nas reformas e nos salários, privatizações em massa – não tem sido fácil. Nestes países, prevalece a escalada do desemprego e a quebra do nível de vida e do bem-estar social, mas a saída da crise parece ainda longe.

Clique AQUI para aceder à entrevista de Daria V. Zakharova à Bloomberg.

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