Ambiente

Fachadas podem duplicar produção de energia solar

A colocação de painéis solares nas fachadas de prédios permite a duplicação da produção de energia solar, apesar de as paredes exteriores dos edifícios terem orientações e inclinações menos favoráveis do que os telhados.
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A colocação de painéis solares nas fachadas de prédios permite a duplicação da produção de energia solar, apesar de as paredes exteriores dos edifícios terem orientações e inclinações menos favoráveis do que os telhados. A conclusão é de um grupo de investigadores portugueses do Departamento de Engenharia Geográfica e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
 
Os três docentes daquela faculdade calcularam o potencial de energia solar das fachadas, aplicando a metodologia ao “campus” universitário da instituição, e concluíram que, embora as paredes exteriores dos edifícios apresentem inclinações e orientações menos propícias para a colocação de painéis fotovoltaicos do que as coberturas inclinadas a sul, a área disponível permite duplicar a radiação solar recebida anualmente.
 
Com vista a calcular a energia solar que chega às fachadas dos prédios, comparando-a com a dos telhados, a equipa portuguesa utilizou dados LIDAR (tecnologia ótica de deteção remota que mede propriedades da luz refletida) e de observações meteorológicas.
 
Os especialistas desevolveram um algorritmo que permite determinar o seu potencial de receção de energia solar anual das fachadas, identificar os melhores locais para colocação de painéis solares e prever o seu desempenho. Com este modelo, conseguiram definir a exposição solar e os sombreamentos das coberturas e fachadas para todas as horas de um ano.
 
À escala de uma cidade, as fachadas dos prédios têm um grande potencial energético, já que “cada fachada tem tanta área como um telhado”, o que possibilita “duplicar a produção de energia fotovoltaica” sem a existência de obstáculos como antenas e chaminés, explicou à Lusa um dos investigadores envolvidos no estudo, Miguel Brito.
 
Segundo o docente, além dos ganhos energéticos, a instalação de painéis nas fachadas traduzir-se-á também em poupanças nos materiais de construção das paredes, nomeadamente em tijolo e tintas. 

Aumento da produção não exige que se “forrem” fachadas
 

Para Paula Redweik, outra das investigadoras,, o potencial solar das fachadas dos prédios, que está a ser testado em edifícios de Lisboa, permite ainda poupar noutras fontes de energia, e mesmo nos pontos à sombra há “radiação difusa que serve para produção de energia fotovoltaica”.
 
Redweik salientou, no entanto, que não está em causa “forrar” as fachadas com painéis solares semelhantes aos de terraços, telhados ou parques fotovoltaicos.
 
“Existe uma indústria de materiais fotovoltaicos que se integram na construção dos edifícios”, lembrou a professora, defendendo que se notaria pouca diferença entre os atuais edifícios espelhados e as construções em altura com painéis fotovoltaicos, que podem mesmo ser transparentes e inclusive usados em janelas.
 
Apesar de ainda não ser competitivo, o uso de painéis solares poderá vir a tornar-se uma realidade em prédios novos já em 2020, dada a queda do seu preço, na ordem dos 40%, acredita Miguel Brito. 

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo português publicado na revista científica Solar Energy (em inglês).

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