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Esta mãe transformou 775 dólares em 65 milhões em 5 anos

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Julie Deane prometeu a si mesma conseguir reunir dinheiro suficiente para colocar os dois filhos numa escola privada. Tinha apenas 775 dólares (cerca de 665 euros) disponíveis e precisava de juntar 31 mil dólares (cerca de 27 mil euros), o custo da instituição. E conseguiu muito mais do que isso.

Em 2007, Julie Deane viu a filha de oito anos chegar a casa com nódoas negras nos braços. Emily estava a ser vítima de bullying, tendo perdido a alegria e a sua personalidade extrovertida. Deane tomou a decisão de mudar os filhos para uma escola privada, mas só tinha 775 dólares (cerca de 665 euros) e precisava de 31 mil dólares (cerca de 27 mil euros) para conseguir fazer face aos custos que a mudança implicava, partilhou a CNBC.

Deane decidiu então que iria investir o dinheiro que tinha num negócio que lhe permitisse conseguir ganhar o montante que necessitava. “Foi como jogar com esse dinheiro. Não estava a ser usado em nada e por isso pensei: Vai correr bem, isto é o que chamam de investimento semente, certo?”, partilhou recentemente na Vanity Fair Founders Fair, em Nova Iorque.

E correu mesmo muito bem. Em apenas 5 anos, Deana conseguiu transformar os 775 dólares (cerca de 665 euros) em 65 milhões de dólares (cerca de 56 milhões de euros), com a The Cambridge Satchel Company, a vender mochilas em 120 países por todo o mundo. Celebridades como Taylor Swift, Alexa Chung, Zooey Deschanel e Elle Fanning já usaram as suas mochilas.

O nascimento da The Cambridge Satchel

Em 2008, Deane, que tinha sido por diversas vezes contabilista, dona de casa e empregada numa universidade, tinha um plano simples para lançar o seu negócio. Tudo começou num chá em sua casa. “Pensei, obviamente, que o que iria fazer era ir para casa, e, sendo britânica, tomar uma chávena de chá, ligar o computador na cozinha e abrir uma folha de Excel”, contou Deane.

À medida que as ideias iam surgindo, Deane focou-se na sua frustração com a pouca qualidade das mochilas escolares para crianças. Quando tentou procurar por uma tradicional mochila não tinha conseguido encontrar. “Estava indignada, profundamente indignada, porque a mochila é a mala mais britânica que se pode imaginar, todos tinham uma na escola. Ninguém estava a fazê-las. Ninguém estava a fazer mochilas na Grã-Bretanha”, referiu a empreendedora.

Assim, Deane decidiu que seria ela quem iria começar a fazer mochilas de qualidade, visto achar-se uma pessoa muito atenta aos pormenores e que fica irritada quando as coisas não funcionam da melhor forma. Fez um par de mochilas clássicas e embrulhou-as em papel pardo para seguirem para protótipo.

O nome para a empresa foi fácil, vivia em Cambridge e ia vender mochilas, e daí nasceu a The Cambridge Satchel. O logo seguiu o mesmo raciocínio, tendo sido criado no Microsoft Word com recurso às suas ferramentas de edição de imagem.

Deane, que dizia abertamente que lançar uma empresa poderia implicar gastos consideráveis de consultoria e estratégia, na altura não tinha nem tempo nem dinheiro para contratar uma equipa, pelo que recrutou a sua mãe. Como referiu, “a verdade é que se tem de arranjar alguém que trabalhe mesmo muito, aguente o nosso temperamento ligeiramente irascível e não espere ser paga. Todos se puseram de fora, até ficar apenas com a minha mãe”.

Do fornecedor de uma loja de material escolar na Escócia até à semana da moda de Nova Iorque

Os artesão eram muito dispendiosos para a empresa de Deane. A solução surgiu numa pesquisa no Google por fornecedores, onde encontrou uma loja de material escolar na Escócia que dizia vender mochilas, a quem telefonou. No início o dono não queria dizer quem era o seu fornecedor, mas Deane ligou-lhe de meia em meia hora com uma nova pergunta até que, um dia e meio depois, cansado de tanto telefonema, o dono acabou por lhe dar o contacto do seu fornecedor.

Deane tinha três mochilas feitas em pele castanha com desenho dos seus filhos. Em dois dias e com recurso a um curso gratuito da Microsoft, aprendeu a programar um site, uma vez que pensou que ia “ter de vender muitas destas mochilas. Isto é obviamente um trabalho para a internet”.

No seu site “caseiro”, o botão do Paypal não surgia alinhado, admite Deane, mas cumpriu a sua função. Começou a receber encomendas, primeiramente de amigos e família que tinham pena dela, confessou a empreendedora. A The British Satchel Company nascia oficialmente em dezembro de 2008.

Em 2010, Deane lembrou-se de mandar algumas das suas novas mochilas, com cores néon, para bloggers de moda usarem na semana da moda de Nova Iorque, já que ela não tinha dinheiro para ir.

Quando as luzes dos eventos da semana da moda se apagaram, as mochilas néon que tinha enviado aos bloggers tinham tido uma grande projeção. A The Cambridge Satchel tinha conseguido a atenção que procurava, superando as expetativas. Em resultado, foi inundada com 16 mil encomendas.

Na altura, Deane tinha quatro pequenos fornecedores que lhe conseguiam fazer 100 mochilas por semana,  mas não mais que isso.

Como a The Cambridge Satchel Company passou também a fabricante

Para dar resposta às 16 mil encomendas, Deane começou a trabalhar com um grande fabricante do Reino Unido, que na altura estava quase na bancarrota. Depois da produção ter começado, recebeu uma chamada de um dos empregados a dizer-lhe que o fabricante estava a roubar pele do seu fornecimento e a fazer réplicas da mala, que vendia com desconto.

“Não vou trabalhar com alguém em quem não confio”, referiu Deane. Confrontou o fabricante, acabando a conversa por levar Deane para um caminho que não esperava.

O fabricante disse a Deane que não tinha outra hipótese do que trabalhar com ele, o que a irritou. Mas irritou-a ainda mais quando lhe disse que era uma mulher estúpida e que não sabia nada sobre o fabrico. Tendo tido esta conversa em frente de todos os colaboradores da empresa, Deane deu consigo a dizer a todos eles que ia abrir uma fábrica ali perto e que os que quisessem trabalhar com ela deveriam mandar-lhe um email.

Três semanas mais tarde tinha transformado um edifício degradado numa fábrica e contratado toda a equipa, excetuando dois funcionários do seu antigo fornecedor.

“Precisava realmente de um investidor, mas também precisava de me afirmar mais e de dizer que não precisava que trouxessem uma equipa enorme e que me esmagassem com as despesas gerais”, confessou Deane, acrescentando que “o que lhes permiti fazerem foi duvidarem e tirarem-me a confiança no meu próprio negócio. A coisa mais importante de que hoje tenho consciência é que ninguém nunca vai importar-se tanto com o meu negócio como eu”.

Mas Deane não perdeu a motivação, afinal teve tantas vezes sucesso e das formas mais inesperadas que o caminho continua à sua frente.

 

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