Ambiente

Energia do vento poderia “alimentar” o planeta inteiro

A energia eólica seria suficiente para suprir as necessidades de todo o planeta - pelo menos em termos técnicos. A conclusão é de dois novos estudos norte-americanos independentes publicados este mês.
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A energia eólica seria suficiente para suprir as necessidades de todo o planeta – pelo menos em termos técnicos. A conclusão é de dois novos estudos independentes publicados este mês, que, considerando apenas questões de física e esquecendo o lado financeiro, mostraram que o vento poderia gerar uma quantidade de energia muito superior à que é consumida atualmente pelo mundo inteiro. 
 
Os dois trabalhos, realizados por duas equipas diferentes de cientistas norte-americanos sem qualquer relação entre si, calculam que a instalação, por todo o globo, de turbinas eólicas com a tecnologia já existente geraria vários biliões de “watts”.
 
Além disso, apontam os investigadores, a produção de energia eólica não emite gases com efeito de estufa como os combustíveis fósseis, o que poderia ser uma grande vantagem ambiental.

De acordo com ambas as equipas, o principal problema tem, no entanto, a ver, sobretudo, com economia, uma vez que “abastecer” o mundo inteiro com estes equipamentos acarretaria um esforço muito significativo e há muitos interesses em jogo.
 

“É mais uma questão de economia e engenharia do que propriamente de existência (ou falta) de recursos”, afirma Ken Caldeira, cientista da área do clima da Carnegie Institute of Science, na Califórnia e co-autor de um dos estudos, citado pela AP. 

Energia do vento tem sido “impedida” de se afirmar
 

“Para alimentar a civilização com turbinas eólicas, estaríamos a falar de algo como duas turbinas por metro quadrado. Não é uma coisa pequena”, salienta Caldeira. Ainda assim, instalações do tipo permitiram produzir “20 vezes a quantidade de energia que o mundo consume atualmente”, aponta.
 
Segundo Mark Jacobson, autor do outro estudo sobre o mesmo tema e professor da Stanford University, a existência de 10 novas turbinas eólicas por cada uma que já está instalada seria suficiente para gerar muito mais energia do que aquela que a população mundial usa ou virá a usar a curto-prazo.
 
No entanto, lamenta Jacobson, os custos iniciais e os interesses nos combustíveis fósseis têm impedido a energia do vento de se afirmar, pelo que esta representa, ainda, uma pequena percentagem do total de energia consumida mundialmente.
 
As conclusões dos estudos têm despoletado reações de diversos especialistas, que salientam que levar a cabo um empreendimento do género poderia desequilibrar o clima, seria extremamente dispendioso e ocuparia demasiado espaço, alertando também que “a desconsideração pelo fator económico” durante a investigação a torna “irrelevante”.

Clique AQUI para aceder ao estudo de Mark Jacobson, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, e AQUI para consultar o estudo de Ken Caldeira, publicado na Nature Climate Change (ambos em inglês).

[Notícia sugerida por Vítor Fernandes]

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