Negócios e Empreendorismo

Empreendedorismo: Crowdfunding cresce em Portugal

Tem uma boa ideia de negócio? Acha mesmo que funciona? O banco não lhe dá dinheiro e não tem capital para investir? Então, a solução que procura pode estar no crowdfunding, um método de financiamento que consiste na recolha de fundos através da inter
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Tem uma boa ideia de negócio? Acha mesmo que funciona? O banco não lhe dá dinheiro e não tem capital para investir? Então, a solução que procura pode estar no crowdfunding, um método de financiamento que consiste na recolha de fundos através da internet. Em Portugal, as ideias não faltam e muitas já estão a ser concretizadas.

por Patrícia Maia

Numa altura em que o crédito bancário está cada vez mais difícil e em que a capacidade de investimento pessoal é limitada, os empreendedores portugueses têm vindo a apostar cada vez mais no financiamento através do crowdfunding, onde o dinheiro é angariado, online, a partir de vários “financiadores” que decidem apostar no projeto.

O novo álbum dos Primitive Reason e o novo disco dos Kumpania Algazarra, o projeto de ervas aromáticas Stufa, o projeto ByAgiL que desenha objetos com padrões inspirados nos azulejos, a edição do livro “O Homem da Gaita” ilustrado por Rui Pedro Lourenço a partir de um poema de Zeca Afonso. Estas são apenas algumas das ideias de negócios que, nos últimos meses, foram concretizadas graças ao crowdfunding.

A PPL e a Massivemov são as principais plataformas de crowdfunding em Portugal. Mas o portal Naturlink também lançou, no início do Verão, uma nova plataforma, o Naturfunding, especialmente dedicada a causas ambientais. Na primeira iniciativa que lançou, de apoio ao Centro do Lobo-Ibérico, a Naturfunding conseguiu arrecadar mais de 55 mil euros em dois meses.

Gabriela Marques, da Massivemov, explicou ao Boas Notícias que “perante o atual contexto económico, esta é uma alternativa cada vez mais viável e com potencial de crescimento”, que apresenta várias vantagens como por exemplo a possibilidade de “testar o produto ou serviço junto do público”, “de angariar uma carteira de clientes e encomendas” e, ainda, a “oportunidade de divulgar a marca”.

Os portugueses têm-se mostrado generosos. Até agora, cerca de 40 por cento dos projetos apresentados nestas plataformas conseguiram financiamento. O projeto ByAgiL, de Afonso Gil, arquiteto e designer, conseguiu arrecadar quase o dobro do valor solicitado, num total de 3.160 euros. “Foi surpreendente como as pessoas, a maior parte delas desconhecidas, apoiaram o projeto”, confessa Afonso, que falou ao Boas Notícias a partir da Feira de Design de Lisboa, onde a ByAgiL vai estar presente até dia 14 de Outubro.

 
Sucesso depende do valor do projeto

O jovem designer diz que não podia estar mais satisfeito com a aposta que fez no crowdfunding. “A Massivemov deu-nos todo o apoio necessário, corrigiu o projeto e apontou os pontos fracos de maneira a tornar a ideia mais sólida”, recorda Afonso. Entretanto, a ByAgiL investiu o financiamento extra que conseguiu na criação de novos produtos e objetivos. Neste momento, os padrões da ByAgiL dão cor a objetos tão diversos como cadernos, camisas, lenços ou sacos.
 
No entanto, para garantir o sucesso através do crowdfunding, não basta ter uma ideia: há que saber organizar e apresentar os projetos até porque as ideias submetidas têm de passar por um processo de seleção e só as melhores são selecionadas.

“Pense muito bem na sua ideia e planifique todos os aspectos”, aconselha Gabriela, sugerindo também que se “partilhe o conceito com algumas pessoas” para ouvir opiniões diferentes e “perceber o potencial” da ideia. “Por fim, não tenha receio de falhar mas trabalhe muito para que isso não aconteça”, salienta a responsável.
 
Quando os objetivos estiverem bem definidos, os empreendedores devem submeter as suas ideias nos sites de crowdfunding. Depois, os projetos podem ser apoiados por qualquer pessoa, com valores que vão desde apenas cinco euros até às centenas de euros. Conforme a quantia que oferecer, o “financiador” tem direito a receber um prémio que poderá consistir em exemplares do produto ou outras recompensas.

O novo documentário de Tiago Pereira sobre a viola campaniça do Alentejo e as originais gomas Nutrally, que são produzidas com ingredientes saudáveis, tal como noticiou há alguns meses o Boas Notícias, são dois dos projetos que, neste momento, procuram financiamento.

Os projetos têm um prazo máximo de três meses para angariar o mínimo de 80% do valor total. Se o objetivo não seja atingido, o valor das contribuições individuais não chega a ser debitado das contas bancárias dos respetivos financiadores.

Crowdfunding movimentou 1.4 mil milhões de dólares nos EUA

Este modelo de financiamento coletivo não é novo. Nos Estados Unidos o crowdfunding tem alcançado um sucesso exponencial com 1.4 mil milhões de dólares angariados através deste método só em 2011, segundo uma pesquisa da empresa Massolution. Em 2012, espera-se que este valor duplique.

Sem cunhas, sem o apoio de grandes marcas ou corporações, sem juros implacáveis, o crowdfunding quer criar condições para uma nova forma de promover o empreendedorismo, numa alternativa às burocracias e dificuldades que normalmente enfrentam aqueles que querem passar das ideias à ação.

Clique AQUI para aceder à Massivemov e AQUI para aceder à plataforma PPL e conhecer os projetos nacionais que, neste momento, procuram financiamento.

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