Cultura

Editados “dicionários” do património português

O património arquitetónico de origem portuguesa disperso pelo mundo é reunido, pela primeira vez, num "dicionário" coordenado por José Mattoso cujo primeiro volume, dedicado à América do Sul, é apresentado no dia 24 pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Versão para impressão
[Foto © José Pessoa, Gulbenkian]

O património arquitetónico de origem portuguesa disperso pelo mundo é reunido, pela primeira vez, num “dicionário” coordenado por José Mattoso cujo primeiro volume, dedicado à América do Sul, é apresentado no dia 24 pela Fundação Calouste Gulbenkian. Os outros dois volumes serão dedicados à Ásia e à África.

Convidado pelo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian a coordenar este Trabalho de sistematização e inventário dos vestígios de origem portuguesa fora da Europa, o historiador José Mattoso exprime, na newsletter da Fundação, o desejo de que a obra contribua para o “melhor conhecimento da cultura dos vários povos do globo, e que estimule o seu enriquecimento mútuo”.

O projeto começou há três anos, na sequência do trabalho desenvolvido ao longo do tempo pela Fundação Gulbenkian na preservação do património histórico de origem portuguesa no Mundo, espalhado pelos vários continentes.

Na direcção do projeto, além do historiador José Mattoso, esteve também Mafalda Soares da Cunha, professora universitária e antigo membro da Comissão para as Comemorações dos Descobrimentos.

Além deles há cerca de 70 autores de entradas, seleccionados de entre os principais especialistas sobre os diversos temas e regiões. As obras são o resultado de um trabalho de equipa em que se envolveram reconhecidos especialistas, coordenadores para as diferentes áreas geográficas.

Critérios e organização

O trabalho partia da intenção de fazer um levantamento desse património edificado fora do espaço europeu, com uma abordagem que não se deveria “confinar às regiões sobre as quais os portugueses tiveram controlo político formal”, como explica Mafalda Soares da Cunha.

José Mattoso fala de “dicionário” de sítios e monumentos por ordem alfabética do nome do lugar onde se encontram. Assim, os volumes têm sempre uma introdução geral para cada uma das quatro áreas geográficas consideradas, enquadrando-as histórica e culturalmente.

Os lugares aparecem identificados na atual e na antiga toponímia usada na documentação portuguesa e na historiografia ultramarina. Esta organização permite a leitura a um público interessado, mas não necessariamente especializado nestas matérias.

Testemunho da diversidade cultural e criatividade humana

Na abertura desta obra, José Mattoso escreve sobre o significado de um trabalho como este, à luz dos frequentes debates políticos sobre nacionalismo, colonialismo, expansão e factos do passado.

O historiador deixa claro que este projecto “não resulta de nenhuma espécie de reivindicação de hipotéticas glórias nacionais”, e que “os vestígios deste encontro de culturas já não pertencem a um só país; pertencem a toda a Humanidade, porque dão testemunho da diversidade cultural e da criatividade humana”.

Comentários

comentários

BN TV

O Boas Notícias está de volta!

Live Facebook

Correio do Leitor

Subscreva a nossa Newsletter!

Receba notícias atualizadas no seu email!
* obrigatório