Saúde

Descoberta poderá melhorar controlo da hipertensão

Investigadores japoneses anunciaram, esta semana, a descoberta de um novo mecanismo de regulação da tensão arterial. O avanço poderá ser decisivo para ajudar a tratar pacientes com hipertensão, um dos principais fatores de risco do AVC e da diabetes.
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Investigadores japoneses anunciaram, esta semana, a descoberta de um novo mecanismo de regulação da tensão arterial. O avanço poderá ser decisivo para ajudar a tratar pacientes com hipertensão, doença que é um dos principais fatores de risco do AVC, da diabetes e de diversas patologias cardiovasculares.
 
Um estudo desenvolvido pela equipa do Riken Brain Science Institute, no Japão, associa ocorrências específicas ao nível celular com efeitos que afetam o organismo de forma sistémica, revelando, pela primeira vez, que a tensão arterial pode cair radicalmente se uma proteína – a ERAP1 – for libertada por um conjunto de células e entrar na corrente sanguínea.
 
A investigação, cujos resultados foram publicados recentemente na revista científica Molecular Cell, arrancou depois de os cientistas terem descoberto que os ratinhos que tinham no sangue falta de uma outra proteína, a ERp44, tinham uma tensão arterial inferior à dos restantes.
 
“Apercebemo-nos de que os modelos animais tinham “defeitos” semelhantes aos dos pacientes que têm falta de angiotensina II – a hormona que faz subir a tensão arterial”, explica, em comunicado, o principal autor do estudo, Chihiro Hisatsune. “Medimos a tensão arterial e ficámos surpreendidos ao constatar que era cerca de 20% inferior à dos ratos normais”, revela o cientista. 

Nova alternativa para potenciais terapêuticas
 

O grupo japonês conseguiu, entretanto, demonstrar que, nos ratinhos com falta da proteína ERp44 (uma proteína multifuncional localizada no retículo endoplasmático, local onde as proteínas são “moldadas” até à sua forma final antes de serem libertadas), a angiotensina II é removida do sangue com maior rapidez, o que explica a descida da tensão arterial.
 
Ao analisar as proteínas associadas à ERp44, os cientistas verificaram que a enzima ERAP1 se “conecta” a ela quando os níveis de oxigénio dentro do retículo endoplasmático são altos, sendo libertada para o sangue quando estes níveis baixam. 
 
Segundo a equipa, níveis de oxigénio flutuam de acordo com diversos fatores, entre eles o 'stress' celular. Quando este 'stress' causa uma redução nos níveis de oxigénio no retículo endoplasmático, a ERAP1 é libertada e a tensão arterial baixa automaticamente para manter o organismo equilibrado.
 
Porém, se a ERp44 não existir, a ERAP1 tem total liberdade para entrar na corrente sanguínea, onde “digere” a angiotensina II, diminuindo a tensão. Esta descoberta é, para os investigadores, de grande importância, já que a compreensão do modo como o nosso corpo regula, naturalmente, a pressão arterial é essencial para o desenvolvimento de novos medicamentos para a controlar de forma artificial.
 
“Com esta nova descoberta, sabemos mais sobre a maneira como a angiotensina II é removida do sangue com vista à redução da pressão arterial e temos uma nova alternativa para estudar potenciais terapêuticas”, salienta Katsuhiko Mikoshiba, outro dos investigadores envolvidos no estudo.
 
Segundo o especialista, “as atuais terapias para a hipertensão 'atacam' a enzima que produz a angiotensina II”. Estes resultados, porém, “abrem a porta a abordagens alternativas que sejam direcionadas para a atividade de proteínas como a ERAP1 e a ERp44”. 
 
“Esperamos que os nossos resultados possam conduzir ao desenvolvimento de novas estratégias para tratar pacientes com distúrbios da tensão arterial”, finaliza o investigador.

Estilo de vida saudável pode prevenir hipertensão
 

Em Portugal, a taxa de prevalência da hipertensão arterial situa-se nos 26,9%, sendo mais elevada no sexo feminino (29,5%) do que no masculino (23,9%), adiantam com dados publicados há dois anos no âmbito do estudo “A Hipertensão em Portugal 2013”, desenvolvido pelo Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares da Direção-Geral da Saúde.
 
Os doentes com esta patologia têm um maior risco de vir a sofrer de determinadas doenças como a insuficiência cardíaca, acidentes vasculares cerebrais (AVC), enfarte do miocárdio, insuficiência renal, perda gradual da visão, esclerose das artérias, entre outras.
 
De acordo com a a Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), a adoção de um estilo de vida saudável pode prevenir o aparecimento da doença e a sua deteção e acompanhamento precoces podem reduzir a probabilidade de vir a desenvolver estas patologias.

Clique AQUI para aceder ao estudo publicado na Molecular Cell (em inglês).

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