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Clusters exploram os mares

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por Nuno Silva e Pinto

Se quanto mais explorarmos e conhecermos o mar, mais poderemos beneficiar do seu poder e capacidade, então as instituições nacionais que promovem o estudo do oceano que banha a nossa costa merecem lugar de destaque e de valorização.

Augustin Olivier, um dos responsáveis da TEC4SEA afirma que “o mar português é um recurso económico imenso ainda largamente desaproveitado”. Um mar imenso e profundo que coloca dificuldades na sua exploração. Estas barreiras podem ser difíceis de contornar, mas surgem ao mesmo tempo como oportunidades. “A situação é essencialmente simples: é preciso desenvolver tecnologia para suportar o surgimento de uma economia do mar robusta e sustentada, face a isso, criámos uma plataforma aberta onde existem os recursos, o know-how e a vontade para que tal tecnologia possa ser desenvolvida. Agora há apenas que a usar tão intensamente quanto possível”, sublinha Olivier.
A TEC4SEA, fundada em 2013, tem como objetivo principal apoiar e promover a investigação, desenvolvimento e teste de robótica marinha, telecomunicações e tecnologia de sensores para monitorização e operação em ambiente marítimo. As entidades fundadoras são o INESC-TEC e o CINTAL (Universidade do Algarve) e disponibiliza atualmente recursos no Porto, em Leixões e em Faro.

Atualmente, as infraestruturas mais relevantes e acessíveis à comunidade científica, académica e empresariais no âmbito da TEC4SEA são a MARBED, uma infraestrutura para teste de redes sem fios em ambiente marítimo instalada na costa da área metropolitana do Porto; um laboratório de tecnologia ótica e eletrónica; um laboratório de robótica e sistemas inteligentes; um laboratório de optoeletrónica para sistemas de sensores; o Centro de Investigação Tecnológica do Algarve e um ponto de apoio portuário em Leixões que permite o acesso rápido de investigadores e cientistas a mar profundo.

Melhorar o investimento na economia do mar aos “olhos” da TEC4SEA

Para Augustin Olivier, “a eficácia das soluções varia com o contexto do problema. Como atrás ficou dito, o contexto (e o mar) português é único e temos de olhar para ele de forma única. Mas as condições necessárias para promover o movimento dos agentes económicos na direção desejada podem sempre ser enquadradas em dois pilares básicos: tem de haver condições para que o movimento se faça, e tem de haver incentivos para o fazer”. Através desta visão a TEC4SEA assume-se como contribuição para “ambos os pilares”, desenvolvendo a tecnologia que permita operar em ambiente marítimo para a criação de condições que permitam e facilitem o trabalho dos agentes económicos.

UPTEC: Valorização económica e social do conhecimento gerado na Região Norte

O UPTEC — Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto é a estrutura basilar de apoio à transferência de conhecimento entre a universidade e o mercado, criada para suportar a terceira missão da Universidade do Porto. Tem como propósitos promover a criação de empresas de base tecnológica, científica e criativa e atrair centros de inovação de empresas nacionais e internacionais, através de um modelo económico sólido, apoiado na transferência de conhecimento. Está organizado por polos temáticos: Tecnológico (UPTEC TECH), Criativo (UPTEC PINC), Biotecnologia (UPTEC BIO) e Mar (UPTEC MAR).

Missão e objetivos do UPTEC MAR

O UPTEC MAR tem como missão estrutural a incubação de projetos empresariais ligados às Ciências e Tecnologias do Mar, beneficiando da proximidade das estruturas e equipamentos do Porto de Leixões e da investigação avançada desenvolvida na Universidade do Porto.
Propõe-se assim a valorizar os resultados de investigação decorrentes da atividade dos vários centros de I&D que a Universidade do Porto alberga no edifício do Terminal de Cruzeiros no interior do Porto de Leixões. A Incubadora do UPTEC MAR está localizada no molhe norte do Porto de Leixões no antigo edifício da sanidade marítima. Dispõe de uma área útil total de aproximadamente 2100 m2 para acolhimento de 40 projetos empresariais. As empresas atualmente associadas ao UPTEC MAR agregam várias áreas de atividade no domínio da economia do Mar como a robótica submarina, software, biotecnologia azul, ambiente, novos produtos e equipamentos para desportos aquáticos.

MARE: uma reorganização produtiva

 O MARE, Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, nasceu em 2013 quando a Fundação para a Ciência e Tecnologia fez um apelo às unidades de investigação para se reorganizarem. Começou com a agregação de quatro centros que já existiam, dois em Lisboa, um em Coimbra e outro nos Açores e como um centro de maior dimensão o objetivo era ter mais massa crítica, ou seja, um maior número de investigadores. Neste momento são oito os polos distribuídos pelo país, mas como muitos desses polos têm mais que uma localização, são 11 os locais em Portugal Continental e Ilhas onde estão implementados.

Segundo Henrique Cabral, coordenador do centro de investigação MARE, “por sermos tão grandes, temos várias áreas de investigação. Não posso dizer que uma é mais acarinhada que outra, mas aquelas que têm tido maior impacto direto na economia estão muito em linha com a aquacultura. Temos um conjunto grande de investigadores que desenvolve investigação nesse domínio, e que tem contribuído para o melhoramento de processos produtivos, das espécies, etc.”

O MARE fez, igualmente, uma forte aposta na investigação relacionada com a biotecnologia azul. Tem incubada uma empresa que estuda as potencialidades das estrelas-do-mar ou dos ouriços, como por exemplo as colas naturais que lhes permitem fixarem-se às rochas. Essas colas podem ter imensas aplicações, desde industriais como medicinais.

Para os próximos anos, o MARE tem como objetivo definido a criação da start-up. “Pensámos que seria interessante fazer uma plataforma com alguma identidade própria que fosse o tal braço da nossa dimensão de empreendedorismo. Era importante juntar algumas valências que tínhamos muito desenvolvidas no MARE e por isso resulta este novo consórcio que tem uma ligação a uma sociedade que essencialmente se dedica à avaliação de risco e à procura de financiamento para as empresas a uma universidade sem grande tradição na área de gestão de empresas com o Fórum Oceano, a associação das empresas do setor. O MARE Startup é uma iniciativa que visa agrupar estas entidades que eram especialistas num determinado domínio numa espécie de consórcio em que o objetivo é promover o empreendedorismo na área do mar”, esclareceu Henrique Cabral.

ECOMARE: o mais recente

O ECOMARE, Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro (UA), abriu portas a 15 de junho deste ano. Tem como objetivos desenvolver investigação de excelência, fundamental e aplicada, e promover serviços de inovação e transferência de tecnologia para empresas, organizações governamentais e instituições nacionais e internacionais na área da Ciência e Tecnologia do Mar. O Cluster nasce de uma parceria alargada que envolve a UA, a APA, a CMI, a Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem e a Oceanário de Lisboa, SA. O ECOMARE é uma unidade que engloba o Centro de Extensão e de Pesquisa em Aquacultura e Mar (CEPAM) e o Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (CPRAM). Ao CEPAM compete desenvolver atividades nas áreas de Biotecnologia Marinha, Ecologia, Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas, Oceanografia, Geologia e Geofísica, Engenharia Naval, Aplicações Robóticas Navais, Engenharia Costeira e Energia Offshore; incluindo Estudos Estratégicos para a avaliação de atividades económicas marítimas. O CPRAM dedicar-se-á a apoiar o resgate, a reabilitação e a devolução à natureza de animais marinhos, nomeadamente aves, répteis e mamíferos, bem como desenvolver investigação científica nas áreas de ecologia populacional e saúde animal, contribuindo assim para as atividades de conservação, investigação e sensibilização ambiental para o meio marinho. O CPRAM integra vários tanques destinados à reabilitação dos animais, laboratórios científicos multifuncionais e uma Unidade de Cuidados Intensivos, estando igualmente provido de um conjunto de sistemas de suporte de vida autónomos para o estudo de organismos marinhos.

A missão do ECOMARE passa por ser um polo de inovação capaz de produzir resultados científicos e tecnológicos, com forte impacto na cadeia de valor dos produtos e dos serviços ligados à economia do mar, no contexto nacional e internacional.

Fórum Oceano

O Fórum Oceano – Associação da Economia do Mar é o resultado da fusão, por incorporação, da Associação Oceano XXI e do FEEM – Fórum Empresarial da Economia do Mar, ocorrida em finais de julho de 2015. Ao longo destes últimos 8 anos, um dos principais desafios foi a agregação do trabalho de várias iniciativas e de várias associações que estavam a trabalhar com questões relacionadas com o mar, ou seja, a reorganização inerente para se chegar ao que é hoje o Fórum Oceano. O seu principal objetivo é dinamizar o Cluster do Mar promovendo o desenvolvimento de relações de cooperação entre instituições do setor científico, empresas e entidades associativas dos diferentes setores e atividades cuja área funcional de intervenção é o Mar. Neste âmbito, o Fórum Oceano orienta a sua atividade no sentido da valorização do Mar como fonte de riqueza económica e de conhecimento e da exploração sustentável dos seus recursos. Para tanto, promove a coordenação intersetorial e interinstitucional, bem como a cooperação entre stakeholders públicos e privados. O resultado é a modernização das atividades marítimas tradicionais e o desenvolvimento de novas atividades, produtos e serviços inovadores direcionados para exportação e reforço da investigação, do desenvolvimento tecnológico, da inovação e da formação na área do Mar.

Conta com mais de 130 associados ligados aos mais diversos setores da economia do Mar, da conservação e transformação do pescado aos portos, transportes e logística. Outros setores de atividade do Fórum Oceano são as chamadas áreas emergentes, tais como biotecnologias marinhas, desenvolvimento tecnológico e energias marinhas.

Atividade sustentável

Segundo Rui Azevedo, Secretário-Geral do Fórum Oceano, “há quatro questões que se têm de reunir para tornar se ter uma atividade sustentável da economia do Mar. Primeiro, deve-se aprofundar conhecimento; em segundo, deve-se criar condições de intervenção autónomas – o que exige desenvolvimento de tecnologia que permita intervir em ambientes inóspitos. Em terceiro, é necessário investimento e, por último, criar mecanismos de segurança e defesa de todo o potencial do Mar”.

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