Ciência

Cinco cientistas de Portugal recebem bolsa dos EUA

Cinco investigadores a trabalhar em Portugal foram selecionados pelo prestigiado Howard Hughes Medical Institute, dos EUA, para receber uma bolsa de investigação no valor de 513.000 euros, num total superior a 2.5 milhões de euros.
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Cinco investigadores a trabalhar em Portugal foram selecionados pelo prestigiado Howard Hughes Medical Institute, dos EUA, para receber uma bolsa de investigação no valor de 513.000 euros, num total superior a 2.5 milhões de euros.

Os investigadores fazem parte de uma lista de 28 investigadores selecionados entre 760 candidatos de 18 países. Portugal e Espanha foram os países com o segundo maior número de premiados. A China obteve o maior número de premiados num total de sete.

Os cinco cientistas – quatro portugueses e uma norte-americana – foram reconhecidos pelo Howard Hughes Medical Institute como “futuros líderes científicos nos seus países”.

As bolsas atribuídas a Portugal serão aplicadas em estudos de neurociências, parasitologia, envelhecimento e a comunicação entre bactérias.

Os investigadores agora distinguidos estão no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), no Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), no Instituto de Medicina Molecular (IMM) e na Fundação Champalimaud (Programa de Neurociências).

Todos têm em comum terem realizado investigação nos EUA, serem líderes de grupos de investigação há menos de sete anos (sendo considerados em ‘início de carreira’), terem publicado resultados marcantes nas suas áreas e apresentarem programas de investigação ambiciosos e de grande impacto futuro.

Os vencedores deste programa inaugural são unânimes em realçar o sucesso das candidaturas nacionais. “Para uma comunidade científica da dimensão da que existe em Portugal (…) é um claro sinal da qualidade dos cientistas que aqui trabalham e, sobretudo, da capacidade que centros de investigação em Portugal têm para competir a nível internacional”, afirmam em comunicado de imprensa.

Os investigadores premiados

Karina Xavier e Miguel Godinho Ferreira estão no IGC desde 2006. Karina Xavier é também investigadora do ITQB. Foram, durante alguns anos colegas de gabinete, embora trabalhem em áreas muito diferentes.

Karina estuda os mecanismos pelos quais as bactérias comunicam entre si. Espera poder manipular a comunicação entre bactérias da flora intestinal, de modo a tirar partido das suas propriedades protetoras contra doenças infecciosas, inflamatórias e desequilíbrios nutricionais.

Miguel Godinho Ferreira tem como objetivo compreender os mecanismos subjacentes ao processo de envelhecimento. Recorrendo ao peixe zebra como organismo modelo, ele pretende manipular os processos que regulam o envelhecimento ao nível celular reduzindo, dessa forma, a incidência de doenças, tais como o cancro, na velhice.

Luísa Figueiredo, diretora da Unidade de Genética Molecular de Parasitas do IMM desde 2010, tem desde cedo um fascínio pelas coisas que não conseguimos ver. Este interesse tem-se mantido ao longo do seu percurso estando agora dedicada à investigação sobre o mecanismo da alteração das proteínas da superfície dos parasitas que lhes serve para evitarem a sua deteção pelos sistemas imunitários dos hospedeiros.

Rui Costa e Megan Carey estão na Fundação Champalimaud, respetivamente, desde 2008 e 2010. Ambos estão interessados em analisar os circuitos cerebrais que controlam o comportamento: como eles são criados, como funcionam ao nível celular, e como tudo isso se junta num cérebro muito complexo, para controlar o movimento, a aprendizagem, a memória e ações.

[Notícia sugerida por Ana Guerreiro Pereira]

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