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Células do sangue do cordão umbilical capazes de eliminar células do cancro da mama

Observou-se que as células NK libertaram elevados níveis de fatores antitumorais e foram capazes de destruir as células cancerígenas in vitro
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por redação

Um grupo de investigadores de duas instituições canadianas desenvolveu um estudo em que avaliou o potencial de células isoladas do sangue do cordão umbilical para eliminar células de cancro da mama. Para isso, isolaram um tipo específico de células do sistema imunitário, as células “Natural Killer” (NK), que possuem uma apetência natural para localizar e eliminar células infetadas ou disfuncionais, nomeadamente células cancerígenas. Esta capacidade intrínseca das células NK tem sido explorada em alguns estudos para o tratamento de diferentes tipos de cancro, com resultados promissores.

Os investigadores conseguiram produzir células NK a partir de sangue do cordão umbilical em quantidade suficiente para aplicação clínica e, posteriormente, testaram a sua atividade antitumoral. Para isso, colocaram as células NK produzidas em contacto com células de dois tipos de cancro da mama, que isolaram a partir de biópsias. Observou-se que as células NK libertaram elevados níveis de fatores antitumorais e foram capazes de destruir as células cancerígenas in vitro, o que poderá representar um resultado promissor no tratamento deste tipo de cancro.

Os autores do estudo testaram também as diferenças entre as células NK obtidas a partir de sangue do cordão umbilical fresco e criopreservado por curtos e longos períodos de tempo. Não foram observadas diferenças no potencial proliferativo e antitumoral das células NK obtidas a partir de sangue do cordão umbilical nestas três condições. “Estes resultados sugerem que o tempo de criopreservação não terá impacto no resultado final da imunoterapia com células NK, sendo expectável que, mesmo amostras criopreservadas por longos períodos de tempo, possam ser utilizadas para esse efeito, refere Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.

E acrescenta: “Os autores deste estudo concluíram ainda que o sangue do cordão umbilical criopreservado é uma eficiente fonte de células NK para o desenvolvimento de imunoterapia para o tratamento de cancro da mama, o que poderá vir a representar uma importante estratégia terapêutica para aquele que é o cancro mais prevalente nas mulheres em todo o mundo”.

O cancro da mama é o tumor maligno mais frequente entre a população feminina a nível mundial. Na Europa, estima-se que haja cerca de 90 novos casos por ano em cada 100.000 habitantes. Em Portugal, os números são semelhantes e, embora o prognóstico seja muito favorável, com cerca de 85% das mulheres portuguesas a sobreviver cinco anos após o diagnóstico da doença, mantém-se a necessidade de desenvolver tratamentos cada vez mais eficazes, sobretudo para as formas mais agressivas desta neoplasia.

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